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Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.







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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Construção da Igualdade (parte 1)


Excelente documentário, belíssimo trabalho, não só como mulher negra e militante, mas também como professora de História, na busca incansável pela igualdade de direitos e na VERDADEIRA construção da identidade histórica da Sociedade Brasileira.

A Construção da Igualdade (parte 2)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dia Internacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres: Em Defesa de nossas Meninas Candaces

por Andréia Lisboa de Sousa*
Se refletirmos um mínimo sobre a questão, não teremos dificuldades em perceber o queo sistema de ensino destila em termos de racismo: livros didáticos, atitude dos professores em sala de aula e nos momentos de recreação, apontam para em processo de lavagem cerebral de tal ordem que, a criança (…) já não mais se reconhece como negra. E são exatamente essas “exceções” que, devidamente cooptadas, acabam por afirmar a inexistência do racismo e de suas práticas. Quando se dá o caso oposto, isto é, de não aceitação da cooptação e de denúncia do processo [de] super-exploração a que o negro é submetido, surge imediatamente a acusação de ‘racismo ás avessas’. (Lélia Gonzalez, 1979)

A intelectual e ativista negra Lélia Gonzalez, uma de nossas Candaces** brasileiras, nos lembra que historicamente no Brasil negros e negras encontram-se em desvantagem nos sistemas de ensino, assim como nas demais agencias do bem estar social. Nossos dois últimos presidentes, FHC (1994-2001) e Lula (2002-2010) reconheceram a existência do racismo que assola não somente o tecido social como o indivíduo e suas relações interpessoais. Todavia, nesse Dia internacional de enfrentamento à violência contra as Mulheres em 2010, quais são as perspectivas colocadas para as mulheres e meninas negras brasileiras? Mostra-se bastante significativo o investimento na manutenção do papel da mulher negra como um ser pouco inteligente, relegada apenas a exercer o trabalho doméstico, sendo comandada por uma mulher branca. Seria a imagem da empregada doméstica, sem escolarização, caricaturizada, animalizada, beiçuda e macaca de carvão o único lugar que a sociedade reserva e consegue permitir como de visibilidade à mulher negra?
Observamos que, recentemente, em 2006, fomos induzidos a pensar que houve avanço na política dos programas de livros do Ministério da Educação (Programa Nacional Biblioteca na Escola/PNBE, Programa Nacional do Livro Didático/PNLD e Programa Nacional do Livro do Ensino Médio/PNLEM) no sentido de contemplarem o princípio do respeito à diversidade etnorracial. Os editais dos referidos programas expressam categoricamente que: “serão excluídas as coleções que não obedecerem aos seguintes estatutos (…)” (Edital do PNBE/2010); “Serão sumariamente eliminadas as obras que não observarem os seguintes critérios (...)” (Edital do PNLD 2010) e “Todas as obras deverão observar os preceitos legais e jurídicos (...)” (Edital PNLEM 2007).
Todos eles citam, dentre outros dispositivos legais, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas alterações, o Parecer CNE/CP nº 003/2004, de 10/03/2004 e a Resolução CNE/CP nº 1, de 17/06/2004, que dispõem sobre as Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. O PNBE cita o Estatuto da Criança e do Adolescente e os dois últimos ainda citam a “Lei nº 10.639/2003”, que tornouobrigatório o ensino de Historia e Cultura Afro-Brasileira no currículo escolar. O PNBE explicitamente informa que obras que veiculem estereótipos e preconceitos de condição social, regional, étnico- racial, de gênero, de orientação sexual, de idade ou de linguagem, assim como qualquer outra forma de discriminação ou de violação de direitos (…)” serão excluídas. Diante desse jogo político, é evidente que os editais sofreram alterações em suas redações, mas não foram capazes de alterar o olhar do/da avaliador/a e, por conseguinte, não alterou o processo e as formas de avaliação e seleção de livros racistas e discriminatórios. Desse modo, em 2010, infelizmente nos deparamos com o descumprimento dos critérios de exclusão das obras submetidas ao processo de avaliação dos referidos programas, uma vez que tanto as regras do edital quanto o posicionamento político do MEC contrariam o que foi proposto e divulgado em seus respectivos editais. Por isso, houve a necessidade de se elaborar o parecer CNE/CEB Nº: 15/2010, orientando sobre a situação e as atentando para implicações da seleção do livro: “As caçadas de Pedrinho”de Monteiro Lobato, dado seu conteúdo discriminatório.
O que há por trás de uma gestão de política de livros que faz alterações em seus editais e as divulga fazendo parecer que está cumprindo as leis, mas que no entanto, na prática, produz um efeito totalmente contrário? O que há por de trás dos cartéis editoriais brasileiros, controlados por algumas corporações européias, que submetem livros racistas para a seleção dos programas do MEC. É assim que a supremacia branca evidencia seu poder social, pois mesmo tendo ciência das regras de seleção de livros, ela submete e tem selecionado (aprovado) livros com conteúdos racistas. Na verdade, esse programas de livros são utilizados como aparelhos ideológicos estatais que, dessa forma, mostram-se eficientemente à serviço da produção, reprodução e reforço de práticas discriminatórias contra, principalmente, a menina, a jovem e a mulher negra.
Apesar dos esforços de entidades que trabalham com direitos humanos, entidades negras, de educadoras/es e de pesquisadoras/es negras/os em prol do combate ao racismo e ao preconceito, o livro “As caçadas de Pedrinho” sem qualquer avaliação rigorosa no que diz respeito, especificamente, à temática racial foi aprovado pelas/os avaliadoras/es do Programa Nacional de Biblioteca na Escola (PNBE). Cabe então perguntar: quem são esses avaliadores? Quantos especialistas negros, especializados em literatura infanto-juvenil fazem parte da equipe de avaliação? Quais mudanças efetivas ocorreram na política do Programa Nacional Biblioteca na Escola, após a aprovação doParecer CNE/CP nº 003/2004, de 10/03/2004 e da Resolução CNE/CP nº 1, de 17/06/2004?
Como a temática etnorracial está sendo implementada nas instâncias internas e externas do MEC? Como a política orçamentária é planejada para a realização de programas de capacitação e como os cursos de capacitação da Secretaria de Educação Básica têm preparado nossas/os profissionais de educação para lidar com a educação para a igualdade racial? Necessitamos que nossas/os especialistas negras/os não só sejam parte integrante das equipes que compõem esses programas, mas que sejam os gestores (coordenadores) dos mesmos para que uma política de inclusão e diversidade etnorracial se concretize de fato. Necessitamos também de especialistas em materiais pedagógicos sobre essa temática integrando o mercado editorial, principalmente nas editoras que submetem seus livros aos programas de livros do MEC.
Como podemos entender como normal a compra de livros que veiculem abertamente a identificação de “macaca de carvão” com explicitado em “As caçadas de Pedrinho”para pessoas negras? Se o fato de uma personagem que é apontada como “macaca de carvão” não se enquadrar na definição de estereótipo e estigma, teremos que mudar toda a literatura acadêmica sobre o tema.Goffman, Bendelow, Gillian and Williams, Ana Célia da Silva, Esmeralda Negrão, Fúlvia Rosemberg,Regina Pahim Pinto, Edith Piza, dentre outras que já evidenciaram em seus conhecidos estudos o quanto o preconceito e o estereótipo são nocivos para crianças e adolescentes. Portanto, os estudos acadêmicos de referência para o tema não mais servirão para nortear novos estudos e análises.
Se o MEC não cumpriu a meta de formação de professores, se as universidades não instituíram disciplinas para a educação das relações raciais, salvo algumas exceções, de onde vem a certeza de que nossos professores estão preparados para - após o contato da criança com um texto preconceituoso que já implicou em seu auto-conceito e auto-imagem - dar-lhe novos elementos para a não cristalização e superação desses estereótipos? Por que sujeitar nossas crianças negras ao exercício tão doloroso de ler: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou na árvore que nem uma macaca de carvão”? Por que optar pela distribuição de um livro que comprovadamente é um atentado à da imagem da mulher negra: “... nem Tia Nastácia, que tem carne preta"? Por que investir na imagem destrutiva, chocante, terrorist : "… aves, desde o negro urubu fedorento até essa jóia de asas…” para depois apostar que a/o educadora/or “trabalhará” isso em sala de aula adequadamente?
Sem sombra de dúvidas, esse contexto só vem a demonstrar que as tradicionais artimanhas das tecnologias de poder, aplicadas por grupos conservadores (a tal intelligentsia “branca” brasileira)só conseguem olhar e desejar políticas para si mesmos. Desta forma, mantêm sua supremacia econômica às custas da manutenção de livros por meio de dinheiro público, veiculando assim uma ideologia racista, travestida de textos estereotipados, achincalhadores e vilipendiosos em relação à personagem negra. Ora, o que podemos claramente perceber é que os gestores, técnicos e outros responsáveis por esse programas não levam a sério a legislação brasileira e mais ainda uma educação anti-racista para todas e todos.
Cacemos sim esse racismo à brasileira e toda e qualquer obra que fere os direitos humanos e o princípio de uma existência com dignidade. Questionemos os gestores públicos que brincam com a educação brasileira e não implementam uma educação anti-racista, anti-sexista e anti-homofóbica em seus programas. Cacemos sim a supremacia branca, disseminada em posições de poder nas instâncias do governo, que desvia o foco das discussões sobre desigualdades e direitos das/os negras/os. Transformemos essa política econômica de faz de conta, mas que não faz de conta quando o assunto é PODER, ELABORAÇÃO, AVALIAÇÃO e DISTRIBUIÇÃO DE LIVROS.
O MEC e os sistemas de ensino devem rever a política de avaliação e seleção dos programas de livros, objetivando a participação de pesquisadores que trabalhem com as populações vítimas da discriminação e estereótipos nos materiais pedagógicos, determinando a participação de pesquisadores que trabalhem com as populações vítimas da discriminação e estereótipos nos materiais pedagógicos durante todo o processo. Caso contrário, não conseguiremos viver em uma sociedade democrática em que os excluídos possam ler livros com histórias complexas, belas, valorativas, diversificadas, oníricas e dignas sobre si próprios. Lobato não deixou que a branca de neve, a cinderela, o Tio Patinhas fossem os únicos ícones para o imaginário infanto-juvenil de nossas crianças, jovens e adultos. Contudo, é certo que em 1930 não fazia parte de sua perspectiva a valorização da criança negra, tampouco o fortalecimento de sua auto-estima. Assim, resta-nos a crítica, a observação, a nota explicativa à obra de Lobato ou então teremos que abandonar o discurso de valorização da diversidade e de promção da igualdade no campo da educação.
Temos direito a uma literatura infanto-juvenil que coloque a personagem negra no mesmo patamar inventivo, imaginativo, onírico, inteligente, diversificado e rico que só tem favorecido historicamente a imagem de personagens brancos. Queremos que os livros enviados para as escolas públicas propiciem uma relação estética, ética e lúdica de uma auto-imagem e auto-estima positiva para as crianças e jovens negras assim como para as crianças e jovens brancos. Queremos narrativas infanto-juvenis que realmente se configurem como narrativas que enriqueçam positivamente o imaginário da/o leitora/or . Queremos narrativas, ilustrações, riquezas de tessituras que sejam lidasapropriadamente e nos deixem encantados com os mistérios e segredos, que nos preparem para lidar com os desafios da vida. Almejamos textos que propiciem honradas formas de interação e saudáveis relacionamentos para estabelecermos convivências múltiplas com os seres vivos e não vivos que fazem parte do mundo que partilhamos.
Reivindicamos que Vossa Ex., o senhor Presidente Luis Inácio Lula da Silva, o senhor Ministro Fernando Haddad, a senhora Secretária da Educação Básica Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silvacorrijam esse erro e se comprometam com a urgente necessidade de reconhecer a existência do racismo presente em livros e materiais didáticos e combatê-los ativamente, em consonância com nossa carta magna. Outrossim, reivindicamos que vossas senhorias assumam posturas proativas, encaminhando todos os procedimentos que se façam necessários, junto ao mercado editorial, às comissões avaliadoras, aos cursos de formação de professores, entre outros.
É fato que a primeira mulher eleita presidenta da República Brasileira, senhora Dilma Roussef,sabe do impacto, dos traumas e estigmas que a volência e a tortura ditatorial brasileira imprimiu e imprime em sua vida. Há 60 anos atrás, três mulheres foram mortas violentamente durante a ditadura de Trujillo na República Dominicana. Neste dia, não queremos que nossas meninas negras candaces sejam desmoralizadas e marcadas violentamente nas salas de aulas deste país como “... uma macaca de carvão” e por outros termos racistas que já deveriam ter sido abolidos. Queremos sim que as narrativas de nossas Candaces estejam nos livros infanto-juvenis deste país.
Neste Dia internacional de enfrentamento à violência contra as Mulheres protestemos contra“As caçadas de Pedrinho”, não permitamos que uma narrativa que apela para o uso de estereótipos abomináveis, além de textos e ilustrações discriminatórias contra a imagem da personagem feminina negra marque esse dia de luta. Assine o abaixo-assinado a favor do Parecer CNE/CEB Nº: 15/2010:http://www.euconcordo.com/com-o-parecer-152010


[*] Especialista em Literatura Infanto-Juvenil. Co-autora do livro De Olho na Cultura: Pontos de Vista Afro-Brasileiros ( Prêmio do Concurso Nacional de Livro didático sobre Cultura Afro-Brasileira, Fundação Cultural Palmares e CEAO, 2005 ). Doutoranda em Educação na Universidade do Texas/Austin/USA. Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da USP – FEUSP. Graduada em Língua e Literatura Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP. Pertence ao grupo de pesquisa: Rede Cooperativa de Pesquisa e Intervenção em (In)Formação, Currículo e Trabalho da Universidade Federal da Bahia – UFBA . Integra a Associação Brasileira dos Pesquisadores Negros (APN) e coordena a área de relações internacionais desta Associação. Integra a Associação Norte Americana de Pesquisa Educacional (AERA). souzaliz@yahoo.com.br
[**] Termo que quer dizer rainha-mãe e tem sido utilizado para designar o poder político- econômico, religioso, cultural, educacional e militar de rainhas africanas do reino de Meroe, bem antes da era cristã, no Egito antigo , onde hoje se localiza a Etiópia, o Sudão e o próprio Egito.

sábado, 20 de novembro de 2010

João Cândido, O ALMIRANTE NEGRO!

No início do século XX, precisamente no ano de 1910, durante alguns dias, mais de dois mil marujos movimentaram a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, ao tomarem posse de navios de guerra para exigir o fim dos castigos corporais na Marinha do Brasil. Mas, qual a relação do termo chibatada com um movimento realizado por integrantes da Marinha brasileira?
Por incrível que pareça, nessa época a Marinha do Brasil era uma das maiores potências mundiais, pois, comprou três couraçados (navios blindados de guerra), três cruzadores, seis caças-torpedeiros, seis torpedeiros, três submarinos e um transporte, para reaparelhar a nossa Marinha de Guerra (plano de compra aprovado no Congresso Nacional em 14 de novembro de 1904), assim, o Brasil passou a ter a terceira esquadra militar do mundo. Entretanto, dos três navios blindados, apenas dois foram realmente adquiridos: o “Minas Gerais” e o “São Paulo”.
Em abril de 1910, o “Minas Gerais” chegou à Baia da Guanabara, era o navio mais bem equipado do mundo, mas, as questões de regime de trabalho, o recrutamento dos marujos, as normas disciplinares e a alimentação deixavam a desejar. O retardamento das reformas nessas áreas fazia lembrar os anos dos navios negreiros. Tudo na Marinha, Código Disciplinar e recrutamento, principalmente, ainda eram iguais ao da monarquia. Homens de bem, criminosos, marginais eram juntamente recrutados para servirem obrigatoriamente durante 10 a 15 anos e, a desobediência ao regulamento tinha a punição de chibatadas e outros castigos conforme nos relata Marília Trindade Barbosa, 1999 (fonte de pesquisa).
Mas, em 16 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca, através do Decreto nº 3 – um dia depois da Proclamação da República – acabou com os castigos corporais na Marinha do Brasil mas, um ano depois tornou a legalizá-los: “Para as faltas leves, prisão e ferro na solitária, a pão e água; faltas leves repetidas, idem idem por seis dias; faltas graves 25 chibatadas”.
Os marujos não aceitaram e começaram a conspirar, principalmente alguns que estiveram na Inglaterra e viram a diferença de tratamento dos que lá eram recrutados. Além disso, corria notícia no mundo da revolta do encouraçado Potemkim. Em novembro de 1910 o marinheiro Marcelo Rodrigues foi punido com 250 chibatadas deixando evidente o sistema escravocrata ainda no país, ou seja, as duras punições impostas aos escravos antes da Lei Áurea em 1888.
Sendo assim, em 22 de novembro de 1910, comandado por João Cândido Felisberto, a Revolta da Chibata eclodiu: “O comitê geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. Naquela noite o clarim não pediria silêncio e sim combate. Cada um assumiu o seu posto e os oficiais de há muito já estavam presos em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante. Às 22:50, quando cessou a luta nos convés, mandei disparar um tiro de canhão, sinal combinado para chamar à fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o ‘São Paulo', seguido do ‘Bahia’. O ‘Deodoro’, a princípio, ficou mudo. Ordenei que todos os holofotes iluminassem o Arsenal da Marinha, as praias e as fortalezas. Expedi um rádio para Catete, informando que a Esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais.
Os mortos na luta foram guardados numa improvisada câmara mortuária e, no outro dia, manhã cedo, enviei os cadáveres para a terra. O resto foi rotina de um navio em guerra”. (Marília Trindade Barboza, João Cândido, o almirante negro, Rio de Janeiro:Gryphus/Museu da Imagem e do Som, 1999).
Nesse ínterim, João Cândido assumiu a esquadra de “Minas Gerais”. No combate morreram o Comandante Batista das Neves, alguns oficiais e muitos marinheiros. Conforme relato anterior, foram tomados também os navios “São Paulo”, o “Bahia” e o “Teodoro”, sendo colocados em pontos estratégicos da cidade da Guanabara, logo em seguida foi enviado um comunicado ao Presidente da República solicitando a revogação do Código Disciplinar, o fim das chibatadas e “bolos” e outros castigos, o aumento dos soldos e a preparação e educação dos marinheiros.
Como não tinha outro jeito a dar – eram 2.379 rebeldes – e estavam com as mais modernas armas que existiam na época, o Marechal Hermes da Costa e o parlamento cederam às exigências, aprovaram um projeto idealizado por Rui Barbosa – que tinha apoiado o retorno dos castigos anteriormente – pondo fim aos castigos e concedendo anistia aos revoltosos. Portanto, com esse ato, termina vitoriosa a revolta, cuja duração foi de cinco dias. Finalmente é colocado um ponto final na punição escravocrata disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil.
A Revolta da Chibata não pode ser esquecida, a lembrança de João Cândido, o “Almirante Negro” deve perpetuar por toda história. Esse marinheiro gaúcho, nascido em 24 de janeiro de 1880, demonstrou mais uma vez a coragem herdada dos seus descendentes negros. Morreu aos 89 anos mas, deixou um legado de luta como exemplo para todos os negros e afros-decendentes do Brasil. Eis mais um testemunho de sangue derramado, por um ideal de transformação. Continuemos na luta!

Fonte: www.overmundo.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

XXXIª MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA CONEN “DE ZUMBI À JOÃO CÂNDIDO:1910-2010 CENTENÀRIO DA REVOLTA DA CHIBATA”

A luta negra no Brasil que teve seus marcos fundantes no período do Brasil Colônia referenciados nas lutas dos diversos quilombos espalhados pelo Brasil, dentre os quais PALMARES e seu grande ultimo líder ZUMBI são as maiores referências, bem como nas revoltas negras urbanas.

A sua rearticulação se inicia no período da ditadura militar sob a vigência do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), lançado pelo presidente Costa e Silva em 1968, ato este que caracterizava como subversivas todas as ações políticas que atacassem o Estado brasileiro qualificando-o enquanto um país racista que propagandeava uma falsa democracia racial, conseqüentemente ficando os atores e atrizes dessa manifestação sujeito às violências do braço repressivo dos governos do período.

Foi em Salvador – Bahia em novembro de 1978 que as organizações negras brasileiras em Assembléia Nacional do MNUCDR, elegeram o dia 20 de novembro, data do assassinato do grande líder ZUMBI DOS PALMARES, como DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

Em 20 novembro do ano seguinte (1979), sob processos repressivos do regime militar na Bahia realizou-se em Salvador- Bahia a primeira MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA,também denominada MARCHA ZUMBI DOS PALMARES que neste 20 de novembro de 2009 completa 30 anos, constituindo-se na primeira marcha brasileira do movimento negro.

Esta marcha a partir de 1979 continuou sendo anualmente realizada na mesma data com explicito caráter político-contestatório do regime e denunciatório da realidade do povo negro no Brasil e em especial na Bahia sempre grifando e relembrando as lutas do povo negro na África e Diáspora.

Por muitos anos ocupou a condição de única na Bahia e no Brasil, incentivando no seu percurso o surgimento de outras marchas e caminhadas em outros Estados e particularmente na Bahia onde atualmente em Salvador nos diversos bairros realizam-se no mês de novembro 17 marchas, alem de outras em cidades do interior bahiano.

Ao longo da historia de 30 anos desta marcha, alem das bandeiras políticas da população negra, este coletivo sempre composto por entidades da luta negra na Bahia de natureza diversa envolvendo perfis institucionais do universo político-cultural negro, já homenageou diversas personalidades a exemplo de Lino Almeida, Luis Orlando, Gregório Bonfim, Ana Célia, Zezé Mota, Dinha do Acarajé, Raimundo Tição, Milton Santos, João Candido, Lazaro Ramos, Lélia Gonzáles, Manuel Almeida, Mario Gusmão, heróis e heroínas da Guerra de Canudos, lideres da Revolta dos Búzios, Pajeu, Juliano Moreira, Solano Trindade, Valdina Pinto, e Revolta dos Males, etc.

Diversos temas foram tratados neste percurso histórico dentre os quais podemos citar: violência policial, desemprego, mulher negra, juventude negra, guerra de canudos, revolta dos búzios, revolta dos males, negação do 13 de maio, educação, direitos humanos, cultura negra, intolerância religiosa, reparações, eleições, massacre de Shaperville, quilombos, etc.

Todo este acumulo, serviu de referencia para a realização em Brasília da Marcha Nacional dos 300 Anos da Morte de Zumbi (1995), bem como, da Marcha Zumbi +10 (2005).

Este ano de 2010 voltamos as ruas para comemorar a 31ª Marcha da Consciência Negra , sob a coordenação da CONEN destacando-se os seguintes temas:

Repúdio às torturas policiais e intolerância religiosa na comunidade de Dom Helder HiIhéus - Bahia

Contra o extermínio da juventude negra

Qualidade de vida e terra para as comunidades quilombolas

Por uma política publica que possibilite a inexistência de familias morando nas ruas

VIVA ZUMBI E JOÃO CÂNDIDO!!!



SALVE OS QUILOMBOS DOS PALMARES E A REVOLTA DA CHIBATA!!!



COORDENAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES NEGRAS - CONEN

FÓRUM CONEN - BAHIA

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

XXXIª MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA CONEN




Companheiras e Companheiros,
A CONEN - Coordenação Nacional de Entidades Negras, estará promovendo no proximo dia 20 de novembro a XXXIª MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, que terá sua concentração no Campo Grande a partir das 14:00h.
O que: XXXIª MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Onde: CAMPO GRANDE x PRAÇA da SÉ
Quando: 20 Novembro 2010
Hora: 14:00 hs
Promoção: CONEN - Coordenação Nacional de Entidades Negras

Zumbi Somos Nós Parte 1

Zumbi Somos Nós Parte 2

Zumbi Somos Nós Parte 3

Zumbi Somos Nós Parte 4

Zumbi Somos Nós Parte 5

Zumbi Somos Nós Parte 6

Zumbi Somos Nós Parte 7

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

História em Quadrinhos: Zumbi é um morto vivo?








Por que comemorar o Dia da Consciência Negra?


Para valorizar nossas raízes africanas e refletir sobre a situação dos afro-descendentes no Brasil e sobre o que fazer para melhorá-la. Um dia para lembrar que somos todos iguais e que devemos respeitar as nossas diferenças.

Esta data foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Importância da Data

A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.

Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.


Lei 10.639/03





LEI 10.639/2003


História e Cultura Afro – Brasileira e Africana


LEI Nº. 10.639/03


09 de janeiro de 2003


Art. 1º A Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:


Art. 26 – A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo de História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.


§3º VETADO

Art. 79-A VETADO


Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”.

Art.2º esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182º da Independência e 115º da República.


LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

A Lei 10.639/03, sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva alterou a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). A partir de então, tornou-se obrigatório a inclusão, no currículo das escolas de ensino fundamental e médio (públicas e privadas), o estudo da História e Cultura Afro-brasileira. Busca-se com isso, resgatar a contribuição da raça negra nas áreas sócio / econômico, política e cultural no cenário brasileiro. A lei propõe ainda, que os calendários escolares incluam o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.

HISTÓRIAS NÃO CONTADAS

A História do Brasil que nos é contada nas escolas e nos livros didáticos, na maioria das vezes, esconde personagens relevantes, quando não diminuem sua importância no contexto histórico. Isso se deve pelo fato de ter sido contada pelos opressores, que colocaram seus valores e suas “verdades” acima das demais realidades, enaltecendo os seus na medida em que “invibilizava” os outros. Não por acaso a trajetória de negras e negros trazidos do continente africano não é retratada como se deve.

A Historiografia Nacional possui vestígios contundentes de parcialidade transmitindo subliminarmente a soberania branca, protagonista dos grandes feitos da nação, enquanto para as demais etnias restou o papel secundário, resumindo seu temperamento a subordinação, sua cultura a “crendices” e sua cognição a inferioridade.


Dialogar, contar e resgatar episódios da luta e resistência de negras(o)s no Brasil é necessário para romper mitos e mostrar sua verdadeira importância na construção da nossa sociedade.

Capoeira, Resistência Negra

A Capoeira, ao longo do tempo e por meio de sua história tem se mostrado como elemento fundamental para a preservação e o resgate da cultura afro-brasileira, e a formação identitária da nação, tendo se tornado patrimônio cultural e imaterial brasileiro. E por aliar de forma especial teoria e prática, transforma-se em eficiente instrumento sócio-educativo, aparecendo com destaque nos Parâmetros Curriculares Nacionais como sugestão dos blocos de conteúdo no tocante a luta, sendo considerada a única atividade da cultura corporal de movimento brasileira.

A mesma é contemplada na lei 10.639/03 e 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e da culturas afro-brasileira e indígena. Em função do exposto, a relevância deste curso justifica-se pelo seu caráter de pioneirismo na área e de atendimento a uma demanda e uma lacuna na formação dos profissionais que trabalham na área que buscam especializar-se. Para tanto, o curso tem como destaque a disseminação e produção de conhecimentos, permitindo o desenvolvimento de pesquisas, a troca de experiências, o entendimento de seus fundamentos, e conseqüentemente, o incentivo e o benefício de sua prática. A Capoeira, ao longo do tempo e por meio de sua história tem se mostrado como elemento fundamental para a preservação e o resgate da cultura afro-brasileira, e a formação identitária da nação, tendo se tornado patrimônio cultural e imaterial brasileiro. E por aliar de forma especial teoria e prática, transforma-se em eficiente instrumento sócio-educativo, aparecendo com destaque nos Parâmetros Curriculares Nacionais como sugestão dos blocos de conteúdo no tocante a luta, sendo considerada a única atividade da cultura corporal de movimento brasileira. A mesma é contemplada na lei 10.639/03 e 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e da culturas afro-brasileira e indígena.

Em função do exposto, a relevância deste curso justifica-se pelo seu caráter de pioneirismo na área e de atendimento a uma demanda e uma lacuna na formação dos profissionais que trabalham na área que buscam especializar-se. Para tanto, o curso tem como destaque a disseminação e produção de conhecimentos, permitindo o desenvolvimento de pesquisas, a troca de experiências, o entendimento de seus fundamentos, e conseqüentemente, o incentivo e o benefício de sua prática.

Consciência Negra


“Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra.

A data - transformada em Dia Nacional da Consciência

Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 –

não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi,

líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra,

assassinado em 20 de novembro de 1695.”


UM POUCO DA HISTÓRIA

“O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597,

por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho

situado em terras pernambucanas.

Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares

foi invadido por uma expedição bandeirante.

Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados.

Um recém-nascido foi levado pelos invasores

e entregue como presente a Antônio Melo,

um padre da vila de Recife.

O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco,

foi criado e educado pelo religioso,

que lhe ensinou a ler e escrever,

além de lhe dar noções de latim, e o iniciar

no estudo da Bíblia.

Aos 12 anos o menino era coroinha.

Entretanto, a população local não aprovava

a atitude do pároco,

que criava o negrinho como filho, e não como servo.

Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo,

Francisco não se conformava em ser tratado

de forma diferente por causa de sua cor.

E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo

humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas.

Por isso, quando completou 15 anos, o franzino

Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem

o Quilombo dos Palmares.

Após caminhar cerca de 132 quilômetros,

o garoto chegou à Serra da Barriga.

Como era de costume nos quilombos,

recebeu uma família e um novo nome.

Agora, Francisco era Zumbi.

Com os conhecimentos repassados pelo padre,

Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem.

Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo,

uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.

Com a queda do rei Ganga Zumba, Do quilombo,

morto após acreditar num pacto de paz com

os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei

e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias.

Com o extermínio do Quilombo dos Palmares

pela expedição comandada pelo

bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694,

Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre

para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído

por um de seus principais comandantes, Antônio Soares,

que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo.

Zumbi foi então torturado e capturado.

Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou,

levando sua cabeça até a praça do Carmo,

na cidade de Recife, onde ficou exposta

por anos seguidos até sua completa decomposição.

“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”.

Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi,

o seu significado para a história do Brasil

e para o movimento negro é praticamente unânime:

Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra

ao escravismo e de sua luta por liberdade.

Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi

permanece e sua história é contada com orgulho

pelos habitantes de todo Brasil

onde o negro-rei pregou a liberdade.”