Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.







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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Balaio de Ideias: A mãe de hoje, a de ontem, a de sempre


O papel das mães do ponto de vista religioso é destacado por Mãe Stella.

É comum dizermos que dia das mães é todo dia, mas é muito bom termos um dia especial, em que todos podem e devem fazer uma homenagem mais específica àquelas que não só proporcionam o maior dom – o da vida, como também dedicam uma grande parte de seu tempo e energia para, numa vigília constante, tentar formar cidadãos de verdade.

Pelas razões anteriormente descritas, é que em nossa prática religiosa, Culto aos Orixás, é fundamental que comecemos o dia louvando as mães. No meu caso, em que minha mãe cedo partiu para o Orún (mundo dos ancestrais), digo: “Yiá mi, ki tobi mi, ló jó, gbà mi lóni efiedeno” = “Minha mãe, que me deu nascimento e educou, mas que já se foi, proteja-me neste dia, tenha paciência comigo”.

E elas precisam ter paciência mesmo! Como sabiamente diz o povo: “uma mãe é para cem filhos, mas cem filhos não são para uma mãe”. Imaginemos, então, uma mãe de quinhentos filhos. Impossível?… Não! Assim são algumas Iyalorixás, termo que na língua yorubana significa Mãe de Orixá, comumente denominada de Mãe de Santo. Nunca é demais lembrar que Orixá é a Essência Divina de cada um de nós.

Uma pessoa é Iyalorixá porque através de rituais religiosos é capaz de trazer esta energia para se manifestar no Aiyé – a Terra. Dizem que mãe é tudo igual. Isto pode até parecer verdade. Um olhar mais apurado, no entanto, identifica as características individuais que elas possuem, tanto no mundo espiritual, como no humano. No geral, toda mãe é doadora, mas a vida também nos mostra mães que jogam seus filhos no lixo, que os colocam para roubar, fazendo deles veículos para sustentar seus vícios físicos e morais.

Estes comportamentos, que nos parecem monstruosos, servem para mostrar que não somos capazes de compreender mais profundamente os mistérios da vida e que não podemos julgar o que não compreendemos. Só nos resta, diante de tais fatos, fazermos exercícios diários de compreensão, perdão e pedidos ao Superior, no sentido de nos dar condições para, através do auto-aperfeiçoamento, sermos capazes de estimular as pessoas que cometem tais atos a buscarem uma evolução maior.

A diversidade do comportamento maternal nos é mostrado através dos mitos das Àyabás – orixás femininos. Nanã simboliza a mãe que deposita uma expectativa nos filhos e que se aborrece quando esta não é correspondida. Iyemanjá é a mãe rigorosa, é ela a responsável por orientar a conduta de sua descendência. Oxum, a delicada, que com ”dengo” se ocupa dos aspectos físicos das crianças, ensina comportamentos de higiene e aparência social, valor de extrema importância, pois a vaidade física facilita toda e qualquer conquista. Yansã é a guerreira, aquela que ao precisar sair para a luta diária deixa um par de chifres de búfalo com seus filhos, para que possam chamá-la a qualquer momento para socorrê-los; quando isso acontece, ela chega rápida como o vento – Oyá tètè (Yansã vem rapidamente).

Chegamos à sacralidade da palavra mãe, que representa o cuidar do outro como uma parte de si. É amor no sentido mais belo da palavra. Uma criança aceita tudo, menos que xingue sua mãe, ela é sagrada, ela é amor. Também, quando somos cuidados com esmero por outra pessoa, dizemos que ela é uma mãe para nós. Nada mais justo, então, que louvemos da forma que a cultura de cada um pede, aquelas que sacralizaram seu ventre ao gerar uma criança.

Temos o dever de guardar em nosso coração um lugar de gratidão por todas as mães vivas, demonstrando este amor com palavras ou atitudes, a fim de que a graça da maternidade as faça felizes e dê força e energia para enfrentar e vencer com dignidade a nobre tarefa que lhes foi confiada. Como diz a tradição oral: “Filhos criados, trabalhos dobrados”. Quanto às mães que nos anteciparam na partida, nunca devem ser esquecidas, pois temos certeza de que não apenas foram, mas que continuam sendo as guardiãs dos frutos que geraram. A alegria maior de toda mãe, além de receber presentes e carinhosos abraços e beijos, é saber que o fruto de seu ventre está feliz e é capaz de transmitir esta felicidade para todos.

Maria Stella de Azevedo Santos é yialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá

Fonte: http://www.atarde.com.br/mundoafro/?p=4249

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Curso Conversando com sua História inicia novo ciclo de debates - BA

Em sua 9º edição, o curso levará para a Biblioteca Pública historiadores e pesquisadores para debater temas da História da Bahia
Rever temas da história da Bahia analisados pela ótica de importantes historiadores e pesquisadores. Este é o principal objetivo do curso Conversando com sua História que, em sua 9º edição, iniciará um novo ciclo de debates, no dia 3 de maio (terça-feira), às 17h, no auditório da Biblioteca Pública do Estado (Barris). Serão 21 palestras que se realizarão entre os meses de maio a outubro. Na abertura, com o tema em “A história da Igreja e Convento de São Francisco”, a Professora Doutora Maria Helena Matue Ochi Flexor falará das origens das igrejas que formam o conjunto franciscano, a partir da primeira construção. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diariamente, das 9h às 17h, pelo telefone 3117- 6067 ou através do email: cmb.fpc.ba.gov.br.

No tema da primeira aula, a professora Maria Helena Matue informa que irá centrar-se nas informações interessantes sobre o conjunto franciscano, de períodos e estilos diferentes como o coro, seus ornamentos, mobiliários e o altar mor que tem mais de dois séculos, incluindo a história do Santo Antônio, o primeiro padroeiro de Salvador.

Professora da Universidade Católica de Salvador (UCSAL), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e Professora Emérita da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maria Helena Matue é Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e possui duas especializações: Arquivologia, pelo Arquivo do Estado da Bahia e em Metodologia do Ensino Superior, pela UFBA. Dentre os livros publicados e organizados destacam-se “Barroco nos Museus de Salvador”, 2010; “Igrejas e Conventos de Salvador e do Baixo Sul da Bahia”, 2009; e The church and couvent of São Francisco in Bahia, traslated by H. Sabrina Gledhil, em 2009.

Curso – Promovido desde 2002 pelo Centro de Memória, unidade da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, o curso Conversando com sua História oferece aulas gratuitas ministradas por diferentes historiadores e pesquisadores. “A variedade temática dos debates é enriquecedora e traz a oportunidade para estudantes, professores e o público participante conferir as pesquisas que têm sido feitas sobre intrigantes aspectos da História da Bahia”, ressalta a diretora do Centro de Memória, a Prof.ª Dra. Consuelo Novais Sampaio.

Temas futuros - O curso acontece sempre às terças-feiras e se estende até o mês de outubro. Dentre os temas que serão debatidos nos próximos encontros estão: “Pintura religiosa em Salvador (1790 – 1850)”, “Yalorixá Cecília do Bonocô – História de vida” e “Ajuntar manuscritos, e convocar escritores: o discurso histórico institucional nos setecentos luso-brasileiro“, entre outros. Os participantes que tiverem 75% de freqüência receberão certificado.

Serviço:

O que: Curso Conversando com sua História
Onde: Biblioteca Pública do Estado (Barris)
Quando: Dia 3 de maio, às 17h.
Entrada: Gratuita
Mais informações: (71) 3117-6067

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os Hebreus



Os hebreus são povos semitas originários da Mesopotâmia que passou pela Babilônia e pela Síria, mas se estabeleceram e viveram no Oriente Médio cerca do segundo milênio a.C. e que mais tarde originou os semitas como os judeus e os árabes, mas posteriormente o termo hebreu foi associado somente ao povo judeu.
A história da política hebraica é dividida em três fases:
· governo dos patriarcas – as comunidades tribais eram comandadas por chefes denominados patriarcas, venerados como “pais” da comunidade;
· governo dos juízes – exerciam o poder político, militar e religioso. Comandavam de forma enérgica o cumprimento dos costumes religiosos, mas não contavam com uma estrutura administrativa regular;
· monarquia – criada para centralizar o poder e organizar forças para enfrentar os adversários.
No início, os hebreus eram pastores nômades. Mas, as medidas que foram conquistando terras palestinas passaram ao cultivo de cereais e depois alguns enriquecidos passaram a viver do comércio.
A história dos hebreus foi marcada por migrações, perseguições, lutas, cativeiros, fugas e dispersão, contudo eles mantiveram sua herança cultural devido à unidade linguística e à manutenção de uma forte tradição religiosa.
Por estar dispersos, isto é, espalhados pelo mundo, o povo judeu unido em comunidades extremamente tradicionais era considerado um povo sem pátria, sem lar. Eram várias comunidades em vários países do mundo, mas sem um território onde pudessem constituir governo, capital, bandeira, etc.
Isso só mudou com a criação do estado de Israel em 1948, na Palestina, mesmo lugar que os hebreus viveram no passado até serem expulsos pelos romanos no ano 70, fato que ficou conhecido como Diáspora.
Sem dúvida, a maior contribuição cultural dos hebreus foi sua religião monoteísta de um só deus, Jeová (Iavé). Ela foi a base das maiores religiões da atualidade, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo seguidos por metade de população mundial.
Fonte: Blog Fazendo História Nova

Professores de História buscam ambiente pedagógico favorável à criatividade


Pesquisa realizada no Distrito Federal mostra o empenho dos professores de história em criar um ambiente pedagógico favorável à criatividade. Os professores ouvidos reconhecem a necessidade de criar condições para o desenvolvimento do potencial criativo do aluno e buscam alternativas didáticas inovadoras que possam tornar o ambiente pedagógico mais atraente.
As conclusões são da própria autora da pesquisa, Maria de Fátima Magalhães Mariani, que entrevistou 16 professores de história de 5ª a 8ª série (6º a 9º ano) de cinco escolas públicas e cinco particulares de Brasília, com dois anos de experiência, pelo menos. O trabalho fez parte de sua dissertação de mestrado em psicologia, intitulada Criatividade no trabalho docente segundo professores de história: limites e possibilidades, apresentada em 2001, na Universidade Católica de Brasília.
Professora de história, já aposentada, com atuação no ensino fundamental e médio da rede pública do Distrito Federal e nas áreas de alfabetização e educação de adultos, atualmente Fátima Mariani é aluna de graduação em psicologia. Na época em que fez a pesquisa, ela trabalhava como coordenadora pedagógica em uma escola pública de Brasília e observou que suas limitações no trabalho docente eram semelhantes às dos colegas. “O que mais me angustiava era não conseguir que todos os meus alunos se interessassem pelas aulas de história. Nem mesmo com os recursos audiovisuais conseguia a atenção de todos”, conta Fátima Mariani.
Segundo ela, as notas em média eram boas, mas tinha muita dificuldade em conseguir que os alunos fizessem silêncio a fim de explicar o conteúdo. “No fim do turno estava rouca, estafada e desmotivada.” Ao relacionar aspectos do trabalho pedagógico com criatividade surgiu a questão: "como tornar as minhas aulas mais atrativas para mim e para meus alunos?" Foi aí que pensou que seria interessante conhecer a percepção dos professores de história sobre criatividade, quais as barreiras e as possibilidades encontradas no trabalho docente.
Fátima Mariani diz que a pesquisa selecionou duas categorias de facilitadores e de limitações relacionadas com a organização do trabalho pedagógico e com aspectos pessoais de cada participante. Com relação à organização do trabalho pedagógico, ela salienta que o aluno foi indicado como facilitador e limitador da expressão criativa do professor. “Este dado é bastante relevante e deve ser pesquisado, trazendo de novo a questão do relacionamento professor-aluno”, destaca.
Os facilitadores mais enfatizados pelos professores foram liberdade e paixão pelo trabalho. Entre os limitadores, os mais destacados foram a falta de habilidade na relação com o aluno, o medo de desafios, falta de tempo, sobrecarga de trabalho e exigências administrativas.
“Descobri que não há muita diferença entre os docentes dos dois tipos de escola quanto aos problemas pedagógicos, diz Fátima Mariani. De maneira geral acredita, as semelhanças são relativas a problemas na relação professor-aluno e queixas dos professores com relação às instituições, tais como rigidez, estruturas fechadas à inovação e pouca abertura à participação da comunidade escolar nas decisões da escola.
(Fátima Schenini)

16 filmes feministas

Escolhemos uma lista de 15 filmes que consideramos ilustrativos para a formação de feministas (ou simplesmente pessoas que gostam de bom conteúdo cinematográfico), quase todos com links para que as leitoras possam assistí-los gratuitamente, em sites que desponibilizam o serviço. A lista é composta por alguns filmes amplamente conhecidos, e outros nem tanto, realizados por mulheres (e feministas) ou que contenham temas abordados em textos do MAÇÃS PODRES. Também deixamos aberto um espaço para que as demais maçãs podres possam dar sugestões de outros filmes.

15º - As virgens suicidas (sexualidade na adolescência)
Dirigido e roteirizado por Sofia Coppola, este filme narra a história de 5 belas adolescentes americanas que em pleno auge da liberdade sexual estadunidense são sexualmente reprimidas pelos seus pais, especialmente a mãe extremamente religiosas.Comentário feminista: Apesar de se basear num livro escrito por um homem e narrado pelo ponto de vista dos garotos, a história lança um sensível olhar sobre a prisão sexual em que se encontram as jovens mulheres (e homens) em sociedades de forte apelo religioso. O filme, já em seus primeiros minutos, possui um dos mais fantásticos diálogos feministas já escritos sobre o que significa ser uma adolescente que tem sua sexualidade reprimida e observa o mundo atraves de um criterioso olhar sobre como estão estabelecidas as bases da desigualdade entre o ser mulher e ser homem. Ideal para se passar em oficinas em que adolescentes debatem os temas de gênero e sexualidade.



14º - Anjos do sol (exploração sexual, prostituição e tráfico de mulheres)
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Maria é uma garota de 12 anos, que no verão de 2002, foi vendida por sua família a um recrutador de prostitutas, sendo enviada a um prostíbulo na região do garimpo. Após meses de abusos, Maria decide que tentará fugir mesmo que o risco possa custar a sua vida. Comentário feminista: asqueroso e brutal, o filme é uma pungente materializaçõ da realidade da prostituição, a exploração sexual e o tráfico de mulheres e adolescentes no Brasil. Nada neste filme parece inverossímil e sua denúncia ultrapassa os limites da “defesa dos direitos humanos”, pois tão aterradora quanto é a mensagem contra a exploração sexual é a concreta ausência de perspectiva sociais que as meninas nesta condição enfrentam para, se quisessem, sair dela. Destacamos o apurado tratamento visual que muitas vezes nos transporta para as condições expostas no filme. Altamente recomendado para oficinas com garotas pobres de periferia que ainda acreditam em conto de fadas ou que possam estar se deslumbrando com as porcarias como as “brunas surfistinhas” da vida. Assista o trailer:  

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13º - O lutador (masculinidade)
O que sobra para um homem quando este já não pode mais exercer sua masculinidade? Este drama conta a história de um homem de meia idade que construiu sua carreira nos ringues de “luta livre”, sem jamais conseguir exercer com completude satisfatória a paternidade ou relacionamentos sentimentais. Comentário feminista: Do mesmo diretor de “Cisne Negro”, o filme traça um panorama sobre o modo que se constrói a masculinidade. A luta livre, os anabolizantes e as cicratrizes podem ser usadas como metáfora capaz nos possibilitar entender o modo que os homens estabelecem suas relações sociais e como se comunicam entre si através da agressão e da dor física. Desmistificando parte da teia de violência que envolve a identidade dos machos comuns, com este filme é possível se fazer um interessante paralelo com alguns dos mais comuns códigos masculinos cotidianos (que apresentam “uma certa coreografia”), como o respeito e a camaradagem, na maneira violenta/rude de ser portar socialmente, sempre a espera de que sua macheza seja reconhecida por seus semelhantes masculinos. Interessante para homens feministas (e mulheres) que desejam compreender os malefícios que o machismo traz para a construção de sua identidade. Veja o trailer:

12º - Preciosa (feminismo negro)
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O filme conta a história de uma adolescente de 16 anos e as privações que ela enfrenta durante sua juventude, onde o único recurso que ela tem em mãos para amenizar a sua situação é a imaginação/ilusão. Comentário feminista: Um dos filmes mais dramáticos dos últimos tempos a abordar a questão das mulheres negras em seu estado de vulnerabilidade social. Desde as questões de padrão de beleza, passando pela violência sexual produzida pela hiperobjetivação do corpo feminino como propriedae masculina, o filme demonstra o quanto são reduzidas as perspectivas de vida de uma jovem negra de periferia e a delicada questão que as mulheres negras (e pobres) enfrentam na manutenção de seus relacionamentos afetivos com homens igualmente desprovidos de perspectivas sociais. Extremamente realista este filme é indicado a qualquer feminista que deseje adentrar nas questões do feminismo negro que sentenciaram o quanto diferente ser “uma mulher” e ser “uma mulher negra” (algo muito similar a realidade da maioria das mulheres brasileiras). Veja o trailer:














11º - Libertárias (feminismo de ideologia operária e anarquista)
O filme narra a história do grupo de militantes anarquista da organização femininista do movimento libertário espanhol chamada "Mulheres Livres", nos primeiros dias da Guerra Civil Espanhola. Comentário feminista: Se enquanto filme é possível que surjam criticas sobre as maneira que as personagens são apresentadas (existem clichês estereotipados sobre os comportamentos femininos), todavia enquanto material feminista há várias cenas que podem muito bem ilustrar a curiosidade de feministas sobre questões históricas, como por exemplo: a visão participativa de mulheres em guerras, pouco apresentada em livros didáticos, e as ideologias feministas de base anarquista e operária muito populares no início do século XX, e hoje extremamente censuradas e invisibilizadas pela grande mídia e história oficial. Indicado para feministas militantes de outros movimentos sociais que querem ampliar sua visão ideológica e que não se satisfazem com o papel de colaboracionaistas do Estado. Veja o trailer:
10º- Lanternas vermelhas (mito da rivalidade feminina)
O filme conta a história de Songlian, uma jovem obrigada a se casar com senhor de uma família da China que já possui outras três esposas. A competição entre as esposas é dura, o que as faz criar uma disputa para obter os privilégios e confortos oferecidos pelo senhor do palácio. Comentário feminista: o grande destaque deste filme e a sua incrível condição de nos possibilitar o entendimento de duas questões: o quanto o patriarcado possui de semelhanças, mesmo em épocas tão “distantes” e culturas tão diferentes quanto a brasileira; e como as estruturas patriarcais estimulam nas mulheres a desunião de gênero (mito da rivalidade feminina). Tanto destacamos os diálogos travados entre as mulheres na presença do marido/senhor quanto às cenas em que a submissão sexual feminina parece representar um poder social, mas que toda via sua condições não passa de uma total ausência de poder. Indicado para feminista que buscam similaridades estruturais dentro dos diferentes sistemas sociais do patriarcado. Veja um trecho:
9º - Meninos não choram (construção da identidade social e orientação sexual)
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Brandon Teena é um forasteiro que quase todos que conheciam se sentiam atraídos por sua inocência. Como qualquer jovem, ele expressa as contradições da identidade sexual que não obedece as normatividades de uma sociedade fundamentalmente patriarcal.Comentário feminista: dirigido por Kimberly Pierce e baseado na história real de Brandon Teena, o filme conta com cenas de extrema violência que expõem de maneira cabal com qual identidade sexual masculina e feminina pode ser socialmente construída, algo que muito difere da orientação sexual de uma pessoa. Não vamos escrever muito sobre este filme, pois é um dos poucos casos em que palavras jamais poderão substituir o choque que cada fotograma se propõe a denunciar, apenas destacaremos as cenas de violência sexual masculina para que as feminista entendam como utilizada esta é usada em sua função de enquadramento social das mulheres. Veja o trailer:




8º - Alfie – O sedutor (masculinidade)
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Este é a história de um solteiro e muito dentro dos padrões de beleza que desenvolvem as mais diferentes técnicas para conquistar as mulheres. Comentário feminista:este é um filme difícil de assistir em seu início, pois chega a causar asco tamanho é o conjunto de frases machista pronunciadas nos minutos iniciais, mas não se enganem já que grande parte da equipe de produção é formada por mulheres. Muito indicado para homens que desejam superar sua condição de macho garanhão e ver o quanto frágil a masculinidade que se baseia apenas no poder do falo. Por isso, temos a liberdade em dizer que esta refilmagem é literalmente um chute no saco masculino, ao desenvolver uma história rude sobre a incapacidade masculina de se relacionar afetivamente como mulheres e homens (destacamos a cena em que o machismo ultrapassa os limites do mito do “companheirismo masculino”), o filme amplia as perspectivas de analise sobre os comportamentos sexuais masculinos e a latente solidão emocional que os garanhões se encontram, mas dificilmente gostam de assumir em público. Filme obrigatório para mulheres que já não acreditam em de “príncipes encantados” e que desconfiam da "nova cordialidade masculina", principalmente em tempos de “casamento real”, ou para feministas/garotas que desejam pregar uma peça em seus namorados machistas. Veja a cena final do filme, infelizmente esta foi a única que encontramos legendada:

7º - A cor púrpura (condição da mulher negra e masculinidade dos homens negros) 
A Cor Purpura baseado no romance da premiada escritora afro-americana Alice Walker, e conta a história Celie que aos 14 anos é violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, ela é doada a "Mister" um violento homem que a despreza. Comentário feminista:este filme é um doloroso retrato do racismo (tanto dentro da história quanto na academia de cinema americano). Obra prima do cinema, indicado ao recorde de estatuetas do Oscar, não ganhou nenhuma, pois nesta época ainda não vivíamos tempos “politicamente corretos”. Também foi o filme de estréia da atriz Whoopi Goldberg, que devido ao “fracasso na cerimônia”, teve que rumar sua carreira para papeis mais amenos e palatáveis para os padrões brancos de Hollywood. O filme é interessantíssimo, pois pode estabelecer um palpável paralelo entre a condição atual dos negros nos EUA e no Brasil, já enquanto no norte da América, os negros receberam terras no fim do processo de escravidão, enquanto que aqui na terra brasilis, este foram lançados as ruas, sem a menor condição de sobrevivencia (tanto que ainda vivemos com as consequências da miséria econômica a que a comunidade negra foi lançada). Entre as cenas de destaque ficamos com os dois momentos em que a personagem da apresentadora Oprah Winfrey sucumbe e supera a violência doméstica sofrida ao longo do filme. Indicado para qualquer pessoa que deseje desenvolver sua consciência negra, nos termos de expostos por Steve Biko. Vejam um trecho:
6º - Olhos azuis (lutra contra o racismo e prática feminista)
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Documentário que denuncia o preconceito racial através de workshops em que pessoas brancas são colocadas nas mesmas condições sociais em que comumente as pessoas negras se encontra. A genial premissa da oficina é que pessoas que possuam "olhos azuis" são intelectualemente inferiores as demais. Comentário feminista: provavelmente este filme seja o mais importante de todos os que nós listamos, pois não é só um registro documental, mas também um registro de um experiência sensorial e conscientizadora com detalhes do processo metodológico e com provas expressas na transformação física das pessoas. Aqui a professora Jane Elliot derruba toda e qualquer mistificação biológica de superioridade racial (e de gênero), inclusive não se acomodando com o fato (e nem se excluindo de sua responsabilidade social) de ser uma mulher branca. Todas as cenas são muito fodásticas, já que demonstram, nua e cruamente, os violentos processos de interiorização social que fragiliza tanto negras/os quanto as mulheres. Jane Elliot dá um soco no estômago de qualquer feminista que ainda acredita ou profere a falácia de que “os interesses do feminismo mudam diante de sua condição social da mulher”. Sem dúvida é documento fundamental para todas as bibliotecas de movimentos sociais que desejam desenvolver uma práxis revolucionária ou para educadores que acreditam na função de intelectual orgânico. Vejam um trecho e sintam a força da realidade:
5º - Estamira (condição das mulheres negras no Brasil)
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Este premiadíssimo documentário registra a vida de Dona Estamira, uma mulher já idosa que sobrevive catando lixo e que é descrita como louca por seus familiares, por entre outras coisas rejeitar a figura masculina de Deus. Porém dona de uma lucidez extrema, ela levanta profundos questionamentos sobre comportamentos socialemente aceitos no senso comum, como o uso da medicalização em pessoas que causam transtorno social ou a sobre as diferenças biologicistas entre os sexos. Comentário feminista: Este é provavelmente um dos melhores e mais contundentes documentários brasileiros de todos os tempos. Com uma apresentação da personagem narrada de “forma progressiva”, o filme mostra em que níveis de “desumanização” um ser humano pode agüentar quando a poderosa presença do patriarcado (dentro de sua família) quando aliada a violência institucional das estruturas estatais. Destacam-se as cenas em que a Dona Estamira questiona o estabelece paralelos sobre cromossomos “Xx” (par) e “Xy” (ímpar), o poder natural da gestação e a manipulação religiosa, como instância afirmadora do poder familiar patriarcal. Indicado para toda e qualquer pessoa lúcida, sem qualquer "trocadilho". Vejam o trailer:
4º - A excêntrica família de Antônia (matriarcado)
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A fábula conta a história da Antônia que, ao voltar à vila onde nasceu, estabelece em uma comunidade matriarcal. As relações pessoais giram em torno da família, dos moradores da vila, pessoas violentadas, além da possível amizade entre os gêneros feminino e masculino, na figura de um velho filósofo “heremita” (estudioso de Schopenhauer e Nietzsche). Comentário feminista:obra prima do cinema holandês, e vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, A excêntrica família de Antônia é um filme feminista por excelência. Dirigido por uma mulher (Marleen Gorris), a película estabelece um cem número de paralelos de como poderiam ser (ou eram) as relações pessoais dentro de uma sociedade matriarcal, onde a maternidade não é uma imposição social e nem uma divindade, mas um processo tão comum quanto a própria morte. Destacamos as cenas em que a neta de Antônia estabelece uma sensível e direta relação de afeto e respeito com um idoso, sem que nenhum dos dois infantilize o outro. Belíssimo, indicado para qualquer pessoa que deseje introduzir-se em assuntos filosóficos e conhecimento feminista. Vejam o trecho do filme:
3º - Minha vida em cor de rosa (homossexualidade e transexualidade)
O roteiro desenvolve as desventuras de Ludovic, um garoto que cresce imaginando que nasceu no corpo errado. A ação se concentra na rejeição social ao comportamento transex do garoto, desde sua família aos seus “amigos” e irmãos, incluindo até a repressão que outros meninas/os sofrem durante a descoberta e construção de sua identidade sexual.Comentário feminista: Esta é uma importantíssima pérola cinematográfica, pois consegue traduzir em imagens e diálogos um dos preceitos fundamentais da feminista Shulamith Firestone, ainda nos anos de 1970: “a luta pela libertação das mulheres perpassa a libertação sexual das crianças”, ao trata de um dos mais difíceis temas referentes ao “novo feminismo”: homossexualidade e transsexualidade na infância. Algumas feministas poderiam se encomodar com o fato da personagem principal ter adoração por “um objeto”, entretanto, neste caso, a abordagem lida com a idéia de transcendência física e não exatamente com imposição de padrão de beleza e coisificação do corpo. Indicadíssimo para oficinas de sexualidade, tanto para adolescentes quanto para adultos, já que o enredo consegue esplendorosamente solucionar questões desarmando os preconceitos de qualquer expectador que consiga se dispor a assisti-lo (mesmo que o faça inicialmente ainda lotado de preconceito). É sem dúvida um filme que feministas devem ter em casa. Vejam o trailer:
2º - Human zoo (arte feminista)
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O filme narra a história de Adria em plena Guerra do Kosovo e em Marseille (como imigrante ilegal). Apesar da própria experiência de vida, a personagem constrói sua identidade passando por pelos clichês femininos, porém superando-os e transcendendo os limites da “feminilidade burra”. Comentário feminista: Escrito, produzido, dirigido e atuando, a ex-modelo e militante feminista Rie Rasmussen consegue realizar um filme totalmente dentro (ao estilo Tarantino) e ao mesmo tempo fora dos padrões cinematográficos do gênero ação. Cheio de sacadas geniais, como o modo que a personagem vez por outra observa os comportamentos femininos, Rie Rasmussen conseguiu com louvor produzir um projeto verdadeiramente feminista na concepção do termo, pois em nenhum momento estigmatiza as personagens masculinas e nem busca qualquer solução fácil para sua personagem principal. Este é um dos poucos casos de filmes que, nas belíssimas cenas de sexo, se baseia no conceito fundamental de arte feminista: “a utilização do próprio corpo da realizadora na condição de sujeito de arte e não de imposição de objeto mercantil de terceiros”. Excelente entretenimento, apesar da abordagem de temas serissímos, como a automutilação, inclusive para ser visto com namoradas/os que odeiam feminismo ou para feministas que não suportam as “heroínas gostosonas" e esteotipadas, comuns nas adaptações de HQ para o cinema. Vejam o trailer:
1º - Sexo por compaixão (sociedade feminista)
Escrito e dirigido por uma mulher (Laura Mañá), este filme conta a fábula de uma mulher cristã de algum lugar do México que é admirada pela sua generosidade, porém abandonada pelo marido, passa a buscar a superação de sua “condição generosa” através de relações sexuais com vários homens.
Comentário feminista: O filme consegue tratar de temas feministas sem dar a eles um tom dramático ou panfletário que só provocaria repulsa “as pessoas não-entendidas”. A história analisa as limitações impostas por uma sociedade patriarcal sobre a sexualidade de homens e mulheres de cultura cristã. Entre os vários pontos altos do filme esta a cena em que nos defrontamos com o famoso antagonismo prostituta VS. “mulher séria”. Outros desconcertantes acertos do roteiro estão em estabelecer uma profunda relação de carência e insatisfação entre os sexos femininos e masculinos, revelar a "verdade biológica" sobre a potência sexual masculina, além de criar cenas bem “didáticas” sobre comportamentos de “cumplicidade” masculina e tradicionais angústias femininas. Este é com certeza, desde sua realização a concepção da história, o mais feminista dos filmes que já assistimos, pois Laura Mañá evitou a todo custo reproduzir qualquer dos estereótipos machistas comuns do cinema (um dos exemplos que podemos citar sem estragar o grande prazer de assistir a película é o fato da protagonista ser totalmente fora dos padrões de beleza atuais). Sexo por compaixão é belíssimo e obrigatório para qualquer feminista. Vejam o trailer: