Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.







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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

20 de novembro - Sancionada lei que cria o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que cria o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. No entanto, a norma que institui a comemoração, não considera a data feriado nacional.

A lei é decorrente do PLS 520/03, da então senadora Serys Slhessarenko, que teve seu texto final aprovado pelo Plenário do Senado no último dia 19 de outubro. Substitutivo da Câmara dos Deputados chegou a propor a inclusão da data na relação de feriados nacionais (Lei 662/49), mas a idéia foi rejeitada pelos senadores.
Até o início da década de 1970, a principal comemoração relativa ao fim da escravidão no Brasil era o 13 de Maio – data em que a princesa Isabel assinou a chamada Lei Áurea, extinguindo oficialmente a escravidão. Em 1971, porém, em plena ditadura militar, um grupo de militantes negros do Rio Grande do Sul, decidiu que a melhor data seria a da possível morte de Zumbi dos Palmares, (1695).

A data de 20 de novembro faz referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, pelas mãos de tropas portuguesas. Durante 14 anos, ele comandara a resistência de milhares de negros contra a escravidão, no Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas.

Um número cada vez mais significativo de entidades da sociedade civil, principalmente o movimento negro, tem se mobilizado em todo país, em torno de atividades relativas à participação da pessoa negra na sociedade em diferentes áreas: trabalho, educação, segurança, saúde, entre outros temas.

Neste Ano Internacional dos Afrodecendentes – instituído por Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Nacional da Consciência Negra ganha caráter internacional. No Brasil, o ápice desta celebração será o AfroXXI – Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodecendentes, que acontece em Salvador, de 16 a 19 de novembro. O evento reunirá representações de países sul-americanos, caribenhos, africanos e ibero-americanos, em torno de debates acerca da situação atual desses povos nas regiões participantes.


LEI FEITA POR DILMA ROUSSEFF

LEI Nº 12.519, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2011
Institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.


A P R E S I D E N T A D A R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º É instituído o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 10 de novembro de 2011; 190º da Independência e 123º da República.

DILMA ROUSSEFF
Mário Lisbôa Theodoro


LEI FEITA POR LULA

LEI Nº 11.645 DE 10 MARÇO DE 2008.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faz saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º O art. 26-A da LEI nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (NR)
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 10 de março de 2008; 187º da Independência e 120º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - Presidente
Fernando Haddad







quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Há 35 anos morria Steve Biko, um dos grandes heróis da defesa dos direitos humanos no mundo

Era 1960 e a África do Sul vivia um dos momentos mais intensos do Apartheid, o regime de segregação racial comandado pelo governo, quando um adolescente foi expulso da escola Lovedale, em King William’s Town, por “comportamento subversivo”. Este jovem foi transferido para outra instituição na região litorânea de Natal, terminou o ensino médio e ingressou na Escola de Medicina da Universidade de Natal, onde daria início a uma vida de luta em nome da liberdade de seu povo. Seu nome era Stephen Bantu Biko, conhecido como Steve Biko.
Reconhecido contestador do Regime do Apartheid, Biko que até então era membro da União Nacional dos Estudantes Sul-africanos, decidiu fundar, em 1968, a Organização dos Estudantes Sul-africanos (South African Students’ Organisation), que além de representar os direitos dos estudantes, providenciava auxílio médico e legal a comunidades negras desfavorecidas e ajudava no desenvolvimento de trabalho em sistema doméstico (o empregador dá ferramentas e matéria-prima, e a produção pode ser feita em casa).
Em 1972 Biko tornou-se co-fundador da Black People’s Convention (BPC – “Convenção dos Negros”, em tradução livre), entidade que trabalhava em projetos de desenvolvimento social nos arredores de Durban e reuniu 70 diferentes grupos de consciência negra. Ao ser eleito o primeiro presidente da organização, foi expulso da universidade e passou a dedicar em tempo integral à sua luta.

 
Banido – Em março de 1973, no ápice do regime de segregação racial, Steve foi “banido”, o que o que na prática significava que Biko não poderia sair de sua cidade natal, estava proibido de comunicar-se com mais de uma pessoa por vez e, portanto, de realizar discursos. Também foi proibida a citação a qualquer de suas declarações anteriores, tivessem sido feitas em discursos ou mesmo em simples conversas pessoais.
Apesar de não mais poder se dedicar a algumas atividades em Durban, Biko continuou a trabalhar na BPC estimulando a população negra a lutar por seus direitos, cada vez menos respeitados pelas autoridades segregacionistas. O governo reagiu e chegou a prender Biko por quatro vezes entre 1975 e 1977.
Em 6 de setembro de 1977, Steve foi preso em um bloqueio rodoviário organizado pela polícia sul-africana. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro e sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, o rapaz já estava em um estado contínuo de semi-consciência quando o médico da prisão aconselhou que Biko fosse levado a um hospital.
Jogado sem qualquer proteção em um Land Rover, Biko foi levado numa viagem de 1,2 mil quilômetros rumo à cidade de Pretória. No dia seguinte (12 de setembro), Steve chegou ao Presídio Central da cidade, jogado no chão de uma cela fria, despido e quase inconsciente.
 
Morte – Ao notar que o prisioneiro não se mexia, os carcereiros chamaram um médico, não prestando qualquer socorro a ele até que o profissional chegasse. O médico, ao examinar Biko, só pôde levantar os olhos para os guardas e dizer: “O homem está morto.” Causa da morte: danos cerebrais.
A comunidade negra sul-africana entrou em polvorosa. A versão oficial da morte de Biko, proferida pelo então ministro da Justiça, James Kruger, sugeria que o prisioneiro havia morrido após longa greve de fome. Mas a grande pressão da imprensa internacional fez cair por terra a alegação de suicídio. Foi reconhecido pelo governo, publicamente, que Steve morreu de danos cerebrais sofridos durante uma briga na prisão, mas ninguém foi responsabilizado. O funeral do ativista atraiu às ruas centenas de milhares de sul-africanos, num protesto que entrou para a história mundial.
A morte de Biko provocou manifestações em várias localidades pelo mundo e ele logo foi alçado à mártir, inspirando outros a lutar pela igualdade dos direitos entre negros e brancos. Como retaliação, o governo da África do Sul baniu organizações (principalmente as em que Biko trabalhou) e pessoas que se manifestaram contra o Apartheid.
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
 
Referências nas artes – Após sua morte, Steve Biko foi homenageado por diversas vertentes artísticas, como nas canções “Biko’s kindred lament” (1979) do Steel Pulse e “Biko” (1980), de Peter Gabriel. Em 1987 Richard Attenborough dirigiu o filme Cry Freedom (Um grito de liberdade), um drama biográfico sobre Biko. A música de Peter Gabriel foi incluída na trilha sonora. Na série de ficção científica da televisão americana Star Trek: The Next Generation há uma espaçonave chamada USS Biko.
 
Fonte: Arca Universal

terça-feira, 31 de julho de 2012

31 de Julho – Dia Internacional da Mulher Africana




A idéia de comemorar o 31 de julho  como Dia Internacional da Mulher Africana surgiu na Conferência da Mulheres Africanas, em 1961, que contou com a participação de 14 países e oito Movimentos de Libertação Nacional em Dar Es Salaam, na Tanzânia, quando foi criada organização Panafricana das Mulheres que tem como objetivo a luta pela promoção de todas as mulheres africanas. A data foi instituída e passou a ser lembrada a partir de 31 de julho de 1962.
Assim, como em todo o mundo, no continente africano a mulher continua sendo discriminada e subjulgada. Entretanto, tem conquistado espaços no mercado de trabalho e no poder político.
Com a descolonização de África, na segunda metade do século XX, muitas mulheres passaram a exercer funções no mercado de trabalho, porém a remuneração continuou inferior ao do homem.
A luta da mulher africana se assemelha a luta da mulher negra em toda parte do mundo, uma vez que ainda tem de lutar por reconhecimento, valorização e por melhores condições de vida nas sociedades onde vivem.
A luta das mulheres negras ainda é grande no Brasil. As mulheres negras compõem uma das maiores categorias de trabalhadoras da nação, a das domésticas, sendo discriminadas, exploradas e submetidas a uma intensa jornada de trabalho.
As mulheres negras da zona rural, cuja maioria vive em comunidades quilombolas, sofrem com a falta de condições mínimas de sobrevivência.
As Convenções contra todas as formas de discriminação sejam da mulher ou de outros segmentos, adotadas pelo Brasil, estão longe de serem cumpridas.
Ainda há um longo caminho a se percorrer em busca de respeito, dignidade, valorização profissional da mulher negra, que continua sendo o esteio familiar. Se quisermos uma sociedade realmente justa, devemos lutar:
- Pelo fim da discriminação racial no trabalho;
- Contra a exploração sexual, social e econômica da mulher negra;
- Por condições de vida digna para o povo negro.
Conscientize-se!
Reaja à Violência Racial!
Não silencie frente à violência e opressão!
Denuncie sempre!
Viva todas as guerreiras que abriram o caminho para nossa luta!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O TRÁFICO LINGUÍSTICO

Por Régia Mabel da Silva Freitas – UCSal [1]



A influência africana na Língua Portuguesa Brasileira é bastante significativa. A quantidade de línguas faladas das senzalas às casas-grandes era vasta: quimbundo, quicongo, umbundo, hauçá, jêje, iorubá ou nagô entre outras. Infelizmente, há muitos equívocos e preconceitos nos estudos sobre os étimos da África. O vocábulo africanismo, por exemplo, é inadequado e simplista uma vez que não indica o grupo étnico de que provêm os aportes lexicais.

Os dialetólogos e lexicólogos que apresentam esta inadequação vocabular supracitada contribuem para o mito da homogeneidade lingüística africana. Deste modo, além de projetar o estereótipo de a África ser uma mera massa de terra indiferenciada e uniforme, pautando-se em preconceitos e vagas informações que excluem as diversidades étnicas, políticas, sociais e culturais, não tratam de maneira igualitária as culturas ágrafas e as escritas deste continente tão rico e plural.

Segundo Costa e Silva (1992, p.38), "a África é rica em diversidade, fraciona-se em incontáveis culturas e fala numerosíssimos idiomas". O autor utiliza duas classificações distintas para abordar o multiligüismo, a saber: os cinco grandes grupos de Westermann (semítico, camítico, sudanês, banto e sã ou san) e as quatro famílias de Greenberg (afro-asiática, níger-cordofaniana, nilo-saariana e khoisan ou coissã). Estas línguas negroafricanas interpenetraram-se no nosso português nos âmbitos morfológicos, sintáticos e lexicais.

Segundo Yeda Castro (1980), esta interação foi facilitada por semelhanças entre esses dois sistemas lingüísticos, principalmente, nos espectros fonéticos:

Depois de quatro séculos de contato direto e permanente de falantes africanos com a língua portuguesa no Brasil, esse processo de interação linguística, apoiada por fatores favoráveis de ordem sócio-histórica e cultural, foi provavelmente facilitado pela proximidade relativa da estrutura linguística do português europeu antigo e regional com as línguas negroafricanas que o mestiçaram. Entre essas semelhanças, o sistema de sete vogais orais (a, e, ê, i, o, ô, u) e a estrutura silábica ideal (CV.CV) (consoante vogal.consoante vogal), onde se observa a conservação do centro vocálico de cada sílaba e não há sílabas terminadas em consoante.

A autora, ainda nesta obra, apresenta duas semelhanças: o nosso sistema vocálico quase coincide com o do iorubá e o do grupo ewê e, com exceção da nasal silábica, a vogal é sempre centro de sílaba. Além disso, elenca também algumas substituições que os falantes brasileiros realizam em oposição ao português lusitano quando optam por étimos africanos de origem banto no emprego de certas palavras, como benjamim (caçula), dormitar (cochilar), insultar (xingar), óleo-de-palma (dendê), aguardente (cachaça) entre outras.

Ao aportarem aqui no Brasil, os negros, literalmente, soltaram a língua! Mesmo imersos num processo de aculturação, criaram identidades diaspóricas através de analogias linguísticas para compartilhar experiências através de provérbios africanos e inventar códigos linguísticos de defesa. Em Casa-Grande & Senzala, Gilberto Freire (1973, p. 331) acrescenta que as palavras foram amaciadas e amolecidas ao contato da criança com a ama negra reduplicando-se (dodói, pipi...) e alguns antropônimos foram dissolvidos e transformados em apelidos como Antônia (Toninha, Totonha...) e Francisco (Chiquinho, Chico...).

No âmbito lexical, estimam-se mais de trezentos vocábulos de origem africana. Das mais diversas línguas que o tráfico nos legou, baseando-se na etnografia do negro no Brasil, podemos dizer que o fluxo banto (línguas quimbundo, quicongo, umbundo...), da extensão sul da linha do Equador, e os sudaneses (línguas iorubas ou nagôs, ewê, fon ou gbe...), do oeste africano ao norte da linha do Equador, teve um papel particularmente importante na história da nossa Língua Portuguesa Brasileira.

Yeda Castro (1980) considera o negro banto o maior agente modelador da nossa língua e seu difusor por todo o território brasileiro sob o regime colonial e escravista. Paul Teyssier (1997) afirma que, no Brasil, o quimbundo aparece no vocabulário mais geral (molambo, moleque...) ou no universo dos escravos em seu modo de vida e suas danças (mocambo, samba...). Por outro lado, o iorubá está na base de um vocabulário relativo às cerimônias do candomblé (babalorixá, Xangô...) ou à cozinha afro-brasileira (vatapá, acarajé...).

Antônio Risério (1988) ratifica esta assertiva quando diz que as
formas verbais iorubanas mantêm-se no campo litúrgico dos cultos afro-brasileiros. Este autor ainda acrescenta que o banto encontra-se difuso e diluído na Cidade da Bahia e, no plano lexical, ele é audível em terreiros de candomblé congo-angola, nas composições carnavalescas dos blocos afros e até mesmo em um mero diálogo nas ruas da cidade.

Maria Luna (2007, p. 5) corrobora ao afirmar que "a nação Angola, origem banto, adotou o panteão dos orixás iorubas e chama os nomes de suas divindades bantos". Acrescenta também que as nações jêje-mahin (Ba) e jêje-mina (Ma) derivam suas tradições e língua ritual do ewê-fon, ou jêjes, como eram chamados pelos nagôs. É importante salientar que a língua fon ainda contempla organizações sócio-religiosas, objetos sagrados, cozinha ritualística, cânticos, expressões referentes a crenças, costumes específicos, cerimônias, ritos litúrgicos e saudações, como "agô" (licença) e "axé" (saudação e estilo musical baiano, a axé music).

Yeda Castro (2001, p. 121) também relacionou alguns aportes lexicais contemporâneos, ligados ao candomblé (axé...) e alguns antigos relacionados a:

Escravidão: banzo, mucama, viramundo;
Fauna: acanga, caçote, calunga, caranguji;
Flora: andu, dendê, moranga, maxixe, jiló;
Alimentação (comidas e bebidas): mungunzá, moqueca, aluá, cachaça;
Casa, habitação, família: cafua, cubata, senzala, babá;
Doenças: caxumba, tunga;
Usos e costumes: cafuné, cochilo, calundu, dengo;
Religião, candomblé: macumba, inquice, orixá, Zambi, Oxóssi, Exu, peji;
Crenças e superstições: quizila, tutu, zumbi, mandu;
Objetos fabricados: quibando, munzuá, muxinga, moringue, caçamba;
Instrumentos musicais: timbau, marimba, cuíca, berimbau, agogô;
Recreação: samba, maxixe, lundu;
Ornamentos e vestes: miçanga, balagandã, tanga, canga;
Referentes ao corpo e funções de comportamento, equivalentes a gírias,
porém considerados chulos e imorais: cabaço (hímen), binga (pênis), tabaco
(vulva), languenza (clitóris), toba (ânus), xibungo (pederasta) e mengá
(copular).
Analisar a influência das línguas africanas na Língua Portuguesa Brasileira ratifica a importância desse povo guerreiro e profícuo na formação cultural brasileira. Sendo assim, a lingüística, uma ciência colaboradora nos estudos Brasil/ África, também comprova que os negros do além-Atlântico não apenas contribuíram, mas constituíram a brasilidade.

REFERÊNCIAS

CASTRO, Yeda Pessoa de. Os falares africanos na Bahia: um vocabulário afrobrasileiro. 1. ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 2001.

_______. Os falares africanos na interação social do Brasil Colônia. Salvador, Centro de Estudos Baianos/UFBA, nº 89, 1980.

COSTA E SILVA, A. A enxada e a lança - A África antes dos portugueses. 1. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Nova Fronteira, 1992.

FREIRE, G. Casa Grande e Senzala. 1. ed. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1973.

LUNA, M. Instituto da palavra. Disponível em: <www.institutodapalavra.hpj.ig.com. br/culturaemfoco/01.htm>. Acesso em: 14 ago. 2007.

RISÉRIO, A. Bahia com "H" – uma leitura da cultura baiana. In: REIS, J.J. Escravidão e invenção da liberdade. 1. ed. São Paulo: Cia das letras, 1988.

TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa. 1. ed. São Paulo: Martins fontes, 1997.

 [1] Graduação em Letras Vernáculas (UCSal), Especializações Lato Sensu em Novas Abordagens no Ensino de Língua Portuguesa (UNIFACS), Novas Tecnologias da Comunicação e Informação (UNEB) e Ensino da Cultura Afro-brasileira (UNIFACS) e Stricto Sensu como Aluna Especial dos Mestrados Educação e Contemporaneidade (UNEB) em Novas Tecnologias, Educação a Distância e Língua, Cultura e Escola e Políticas Sociais e Cidadania (UCSal) em Políticas de Educação e Cidadania. E-mail: mabelfreitas@bol.com.br.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Livro Egipcio dos Mortos

As Rainhas Negras do Egito

As Candaces têm monumentos denominados túmulos reais, por exemplo em BEGRAWIYA Norte.As Candaces ocupavam–se inclusive da formação de novas gerações, consideradas “jovens da essência divina”; realizavam rituais para investir poderes em suas sucessoras para continuidade do Reino – por exemplo era papel das Candaces a coroação e a adoção da nora, para ampliar e assegurar a continuidade do Reino aportando sangue novo, sem perder as tradições nem as origens.

As Candaces realizavam a coroação de seus próprios filhos em seus postos de realeza; participavam da escolha do Rei e das cerimônias de transmissão de poderes; em cerimônias rituais as Candaces eram as portadoras de oferendas, símbolo de realeza, de poder.O sistema que garantia a existência das Candaces era um sistema local dotado de uma enorme complexidade, articulando uma organização tradicional que se renovava em si mesma, a cada passo, no interior da realeza CUSH em MÉROE.

A proeminência da RAINHA MÃE assegurava a legitimidade do sistema e mantinha a família real no poder.Candace: as senhoras CUSH; nome genérico de Rainhas da Etiópia. Candace significa a forma latina afrancesada de KANTAKAI.

FAMÍLIA DE SANTO E EDUCAÇÃO

Por Makota Valdina Pinto

A primeira referência de uma família de santo (família de candomblé) é o
terreiro a que alguém pertence,ou seja, quem é a mãe ou o pai do terreiro, as
suas origens, as pessoas envolvidas na sua feitura (iniciação) e por aí vai até
chegar a uma origem mais remota e assim também se chegar aos traços
étnicos que predominam na determinada família e que a identificam como
sendo de determinada nação.
Cada terreiro, mesmo tendo sua própria dinâmica, suas próprias
características, à medida que mantém traços, valores (posturas,práticas
relacionadas à essência, linguagem, ritos, rezas, cantigas, formas de
transmissão...) que o identificam com as suas origens com grupos
antecessores e formadores da sua essência, contribui para a manutenção da
identidade de sua família de santo, bem como elementos, valores que
remetem a um grupo étnico africano remoto. A dinâmica e reconstruções
conforme a realidade de cada geração não deve jamais alterar a essência base
do grupo pois, assim estará alterando a sua identidade e contribuindo para a
perda de uma identidade remota.
O processo de Iniciação, na realidade, deve ser visto como um processo de
educação e educação para a vida, para viver no mundo em qualquer tempo,
para interagir com qualquer grupo a partir do seu viver no seu grupo familiar da
sua interação com o seu grupo.
Até poucas décadas atrás famílias negras que viviam em pequenas
comunidades, hoje transformadas em bairros, mantinham na base da educação
familiar e da comunidade traços, valores oriundos de comunidades tradicionais
africanas. Do nascer ao morrer, na alegria ou na tristeza, levantando casas de
taipa, fazendo adobes no terreiro em frente das casas ou nos quintais para
suspender as paredes, consertando as ladeiras, comemorando as datas
festivas, religiosas, a ação das/dos mestras/mestres e aprendizes lá estava
sendo passada no cotidiano dos grupos familiares, no grupo da comunidade.
A hierarquia, o respeito, a solidariedade, a importância dos mais velhos bem
como dos mais novos como continuação do grupo, do que ali se vivia lá estava.
Guardando-se as devidas medidas de participação observando-se uma
hierarquia implícita e o respeito aos mais velhos, todos agiam e interagiam a
partir do lugar em que ocupava na família, na comunidade; filhos e pais, irmãos
mais novos e irmãos mais velhos, os mais antigos na comunidade e os mais
novos. Os jeitos de resolver os conflitos (o “aquieta acomoda”) na família, na
comunidade... Enfim, tudo, mas tudo mesmo denotava um jeito de viver que
muito tinha de negro, que era diferente... E isso, lá nos idos do final dos anos
40 passando pelos 50 e começo dos 60, para mim vivendo no mesmo lugar até
hoje (Engenho Velho da Federação) parece até que foi ontem...
Na década de 70, já adulta, sendo professora de escola primária e apesar de
ter vivido desde criança num ambiente da prática do candomblé passei
realmente a fazer parte desse grupo ao ser confirmada como makota num dos
terreiros dessa comunidade e foi aí que me dei conta dos muitos jeitos que
enquanto comunidade (bairro) tínhamos perdido ou estávamos perdendo, mas
que enquanto grupo, comunidade de candomblé, apesar de também estar
sofrendo influência de jeitos externos, ainda podia-se encontrar e ainda se
encontra esses jeitos de viver, de fazer as coisas que remetem à minha
infância, à minha juventude.
Hoje é claro que vivemos uma outra realidade, os tempos são outros, os
valores, o conceito de família dentro da nossa sociedade muito longe estão dos
nossos negros jeitos, dos nossos negros valores, dos nossos negros
conceitos. E esse é o grande desafio que a família de candomblé, a meu ver,
hoje enfrenta: Diante dos modelos e caminhos, valores e conceitos impostos
pela sociedade em que vivemos, manter a nossa essência os nossos modelos
e caminhos, valores e conceitos compatibilizando-os com a realidade em que
hoje vivemos.
Ser mãe ou pai de uma família de santo hoje, no meu entendimento, exige
muito mais que antes já que hoje não estamos isolados, vivendo nos nossos
guetos, em comunidades que de certo modo eram extensões dos terreiros.
Hoje, estamos agindo, interagindo nos terreiros e ao mesmo tempo dentro da
sociedade, queiramos ou não. Quem somos nós hoje no terreiro? Quem somos
nós hoje na sociedade? Até que ponto temos o controle da base da educação,
dos valores que nossas crianças, os nossos jovens recebem? Ainda que
insistamos em sinalizar em apontar valores nos quais acreditamos, podemos
competir com a mídia, com as instituições que aí estão a mostrar o contrário?
Diante do quadro em que estamos inseridos, as comunidades dos terreiros têm
que iniciar para o viver hoje não só transmitindo o legado das tradições
recebidas, mas educando para viver esse legado fora do ambiente do terreiro,
bem como trazer para o ambiente do terreiro as questões que nos aflige e que
é parte do nosso cotidiano dentro da sociedade em que vivemos a fim de
buscarmos saídas, caminhos de solução.

Diário Preto - Seu Cabelo


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Coleção Percepções da Diferença

A coleção Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola é destinada a professores da educação infantil e do ensino fundamental. Seu intuito é discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas que constituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminações sofridas por crianças negras de diferentes idades em seu cotidiano nas escolas.
Diferenciar é uma característica de todos os animais. Também é uma característica humana muito forte e muito importante entre as crianças, mesmo quando são bem pequenas, na idade em que freqüentam creches e pré-escolas e começam a conviver com outras observando que não são todas iguais.
Mas como lidar com o exercício humano de diferenciar sem que ele se torne discriminatório? O que fazer quando as crianças se dão conta da diferença entre a cor e a textura dos cabelos, os traços dos rostos, a cor da pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo e excludente? Como sugerir que as crianças brinquem com as diferenças no lugar de brigarem em função delas?
Os 10 volumes que compõem a coleção Percepções da Diferença chamam a atenção para momentos em que a diferenciação ocorre, quando se torna discriminatória, e sugerem formas para lidar com esses atos de modo a colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianças sejam construídos.
Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestões de como explorar as diferenças de maneira positiva, por meio de brincadeiras e histórias, e de leituras que possam auxiliá-los a aprofundar a reflexão sobre os temas, caso desejem fazê-lo.
Para compor a coleção convidamos especialistas e educadores de diferentes áreas. Cada volume reflete o ponto de vista do autor ou da autora de modo a assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntos tratados.
Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.
Gislene Santos

Acesse o site abaixo e baixe toda a coleção:  http://www.usp.br/neinb/?q=node%2F9

Elas fizeram história – Para conhecer, relembrar e se orgulhar

A mulher negra marcou e ainda marca a história do mundo atuando em diversas áreas como realizadoras, conquistadoras, criadoras, revolucionárias, transformadoras e todo e qualquer adjetivo que possa definir uma heroína. O talento artístico também fez surgir muitas estrelas que nos encantam e emocionam, seja pela voz, pela poesia ou outra forma de expressão.
Relembremos, agora, alguns nomes de uma extensa enciclopédia que bem poderia se chamar “Heroínas negras”. É apenas uma lista simples de um blog simples que, certamente, comete a injustiça de deixar muitas personalidades importantes de fora. Reconhecemos esta limitação e pedimos desculpas desde já. Mas o objetivo principal é homenagear todas as mulheres negras, incluindo as heroínas anônimas que fazem a sua parte nas lutas do dia-a-dia.

EDMONIA LEWIS
Foi a primeira mulher negra a ganhar fama e reconhecimento como escultora no mundo das artes. Nascida na cidade de Greenbush, Nova York, EUA, em 4 de julho de 1844, Edmonia Lewis era filha de pai haitiano e sua mãe era de Mississauga Ojibwe, Canadá. Estudou na escola de arte Oberlin College, uma das primeiras instuições de ensino superior nos EUA a admitir mulheres e pessoas de diferentes etnias. Mais tade foi para Roma onde viveu a maior parte de sua vida artística. Ao longo de sua carreira ela se inspirou na vida dos abolicionistas e dos heróis da Guerra Civil. Suas obras mais populares são Forever Free (1867), Hagar (1868) e Old Arrow-Maker and his Daughter (1866). Edmonia Lewis morreu em 17 de setembro de 1907. Fonte: Wikipedia.

LÉLIA GONZALÉZ
Foi uma intelectual, política, professora e antropóloga brasileira. Nasceu em Belo Horizonte em 1º de fevereiro de 1935 e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro ainda criança. Estudou no Colégio Pedro II, foi assistente do filósofo Tarcísio Padilha na UERJ e na UFRJ. Como educadora, Lélia lecionou em muitas escolas de nível médio, em faculdades e universidades.  Foi professora no Instituto de Educação, no Colégio de Aplicação (UERJ), na rede estadual de ensino. Estudou profundamente sobre a história do povo negro e preocupava-se com a desigualdade e a exclusão racial. Como a primeira intelectual negra no país, tornou-se referência no movimento negro. Foi oradora, escreveu muitos textos, traduziu livros de filosofia e publicou o livro “Lugar do Negro”, que foi premiado na Feira Internacional do Livro na Alemanha. Em 1982 ingressou na política sendo suplente de Deputada Federal pelo PT e suplente de Deputada Estadual pelo PDT em 1986. Lélia lutou contra as desigualdades sociais e o racismo. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em nível nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros. Lélia Gonzalez foi eleita Chefe do Departamento de Sociologia na PUC-RJ e um mês depois veio a falecer, em 10 de julho de 1994. Fonte: Site Amai-vos.

BELL HOOKS
Gloria Jean Watkins nasceu em Kentucky, EUA em 25 de setembro de 1952. É escritora e militante feminina. Adotou como pseudônimo o nome de sua avó (bell hooks) e prefere que seja escrito em minúsculo para que a atenção seja concentrada em sua mensagem ao invés de em si mesma. Seu trabalho enfoca principalmente o estudo de sistemas de dominação e opressão, particularmente aqueles associados a questões como raça, classe e gênero. Publicou mais de trinta livros e muitos artigos acadêmicos. Realiza palestras e participou de diversos documentários. Seu primeiro livro (Ain’t I a Woman: Black Women and Feminism) escreveu aos 19 anos. Estudou literatura inglesa na Universidade de Stanford, na Universidade de Wisconsin e na Universidade da Califórnia. Lecionou Estudos Afro-americanos na Universidade do Sul da Califórnia e na Universidade de Yale e Estudos da Mulheres no Oberlin College em Ohio. Bell hooks atualmente mora em Nova York e continua sua luta contra o racismo e o sexismo nos EUA. Fonte: Wikipedia, Site Biography e Site Encyclopedia of World Biography.

NINA SIMONE
Eunice Kathleen Waymon nasceu em Tryon na Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro de 1933. É uma das maiores cantoras, instrumentistas e compositoras americanas. Adotou o psudônimo de Nina Simone para poder cantar nos cabarés de Nova York, Filadélfia e Atlantic City escondida de seus pais que eram pastores metodistas. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Juilliard School of Music, em Nova Iorque. Ela se aventurou em diversos estilos, passando pelo gospel, soul, blues, folk e jazz. Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King. Sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963. Casada com um policial nova-iorquino, também sofreu com a violência do marido, que a espancava. Nina Simone morreu na França aos 70 anos, em 21 de abril de 2003. Fonte: Wikipedia, Site Letras.com.br e Site Memorial da Fama.

LUÍSA MAHIN
Nasceu no início do século XIX em Costa da Mina, na África, foi ex-escrava no Brasil e viveu em Salvador, Bahia. Era mãe de Luís Gama e foi alforriada em 1812. Envolveu-se na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. Quituteira de profissão, de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838). Caso o levante dos malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia. Descoberta, foi perseguida, logrando evadir-se para o Rio de Janeiro onde foi encontrada, detida e, possivelmente, degredada para Angola, na África. Não existe, entretanto, nenhum documento que comprove essa informação. Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir, vindo a instalar-se no Maranhão, onde, com a sua influência, desenvolveu-se o chamado tambor de crioula. Fonte: Wikipedia.

ANGELA DAVIS
Angela Yvonne Davis é professora e filósofa americana e nasceu em Birminghan no Alabama, EUA, no dia 26 de janeiro de 1944. Desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes. Na década de 1960 tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras. Em 18 de agosto de 1970 tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, sequestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco. Chegou a ser presa em Nova York e julgada, sendo inocentada de todas as acusações e libertada. Em 1980 e 1984, Angela chegou a se candidatar a vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista americano. Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras e continua sua luta pela abolição da pena de morte na Califórnia.  

Fonte: Wikipedia.

sábado, 2 de junho de 2012

QUEM SE IMPORTA COM O FUTURO ALHEIO?


Doze dias de greve dos policiais na Bahia foram capazes de revolver diversos segmentos da sociedade baiana, não apenas na negociação diária em busca de saídas para o impasse entre grevistas e o governo do estado, mas, sobretudo no debate irado que se travou nos meios de comunicação em torno do argumento do desamparo ao qual a população estava submetida e dos prejuízos gerados à economia pela redução da circulação de pessoas no comércio.
Os telejornais locais e os nacionais deram ampla cobertura ao fato e o barulho social gerado pela paralisação tinha força de um urro, ora acusando o governador de omisso e irresponsável por não negociar com os policiais, ora acusando os policiais de bandidos, irresponsáveis e até de contribuírem diretamente para o aumento do número de homicídios. Em outras palavras, parte da imprensa disse com muito prazer que uma certa polícia miliciana andou executando gente durante a greve a torto e a direito.
METRÔ – Há pouco mais de uma semana a maior cidade do País, São Paulo, acordou com os metroviários de braços cruzados e mesmo quem vive no Amapá foi bombardeado o dia inteiro por imagens televisivas de todas as emissoras mostrando do alto a cidade caótica, cena, aliás, que nem precisa de paralisação de metrô para ser capturada por câmeras de TV, em se tratando de São Paulo. A greve não durou um dia. O poder político e o poder econômico, diante do prejuízo que se desenhou, arranjaram uma solução urgente e 24 horas depois tudo estava resolvido, com conquistas para os metroviários.
Em Salvador, que nunca pôde contar com o luxo de ter um metrô, no mesmo dia quem cruzou os braços foram os motoristas e cobradores de ônibus, deixando cerca de um milhão de pessoas sem transporte e reduzindo radicalmente a circulação de dinheiro no comércio. Como quem anda de ônibus em Salvador está em muita desvantagem social e econômica em relação a quem anda de metrô em São Paulo, a coisa demorou um pouquinho mais que lá para se resolver, mas a greve não se estendeu nem até o fim de semana.
RENITENTE - Enquanto isso, na Bahia, numa outra dimensão da vida, para um grupo de pessoas que de certo modo carregam nas costas a única idéia de futuro que este país pode ter, os professores, uma greve se arrasta caminhando para dois meses, 60 dias, e a impressão que se tem na capital, em Salvador, é que nada está acontecendo, que nada está fora do lugar ou da ordem. Milhares de alunos sem aula há praticamente 60 dias, um discurso renitente do governo que contesta até as decisões judiciais sobre o pagamento dos salários dos professores e com exceções de uma reportagem de TV aqui e ali ou de um comentário de apresentador, quem parece socialmente incomodado com a greve e suas consequências.
Quando a polícia para e todo mundo fica com medo de sair às ruas e deixa de fazer compras, a economia do país e o medo da violência crescer ainda mais fazem a população comum sair do silêncio, mesmo que seja para dizer absurdos. Quando o transporte público para e os empregados não podem ir trabalhar e o comércio e a indústria veem essas ausências transformadas em perda concreta de dinheiro, dá-se um jeito de forçar o poder público a se virar nos 30, negociar o que quer que seja para a ordem das coisas se restabelecer. E a cidade vazia, os shopping centers vazios e a paisagem das ruas sem polícia ou sem ônibus geram excelentes imagens de TV.
OFENDIDOS - Já milhares de meninos e meninas pobres, sem aula, cada um em sua casa, sem poder nenhum, que imagem haverão de gerar para o telespectador? A lógica parece simples e não é da televisão, mas, antes, da sociedade. Quando os policiais ou os metroviários e rodoviários cruzam os braços, a sociedade compreende imediatamente que o seu presente, o imediato, o aqui e o agora estão comprometidos. E como pode o direito de ir e vir do cidadão ser assim cerceado, pensa a maioria e aponta a metralhadora de pressão para os governantes descansados, obrigando-os a reagir.
Já os professores da rede pública, se cruzam os braços, quem se importa? Isso não diz respeito ao presente de ninguém, somente ao futuro, e mesmo assim já incerto, de um universo de jovens pobres para quem a greve, cada vez mais silenciosa socialmente, é apenas mais um elemento de consolidação da falta de acesso à cultura, à informação e à formação que os habilitariam a entrar na universidade sem serem ofendidos porque precisam de cotas. A greve dos professores quase não passa na TV porque diz respeito ao futuro alheio.
Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado originalmente em 03 de junho de 2012, no jornal A Tarde, Caderno 2, p. 05, Salvador/BA; maluzes@gmail.com
A Tarde/BA
03/06/2012

4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil





Estão abertas as inscrições para a
4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil
 
O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp convoca estudantes e professores de todo o país a participarem da 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pelo site até dia 10 de agosto.
A Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa única na área de ciências humanas em todo o Brasil. Em 2011, a Olimpíada contou com mais de 65 mil inscritos, com representantes de todos os estados do território nacional.
Composta por cinco fases online e uma presencial, a competição envolve professores de história e alunos do oitavo e nono anos do Ensino Fundamental e das séries do Ensino Médio em um trabalho coletivo de estudar não apenas o conteúdo das questões propostas, mas de desenvolver um olhar crítico para a história. Dessa forma, é valorizado o processo de aprendizagem e construção do conhecimento. O contato direto com documentos históricos permite aos participantes trabalharem como historiadores, à medida que processam as informações exigidas nas respostas das questões em cada fase.
Este ano, a primeira fase terá início em 20 de agosto e a fase final presencial acontecerá nos dias 20 e 21 de outubro, na Universidade Estadual de Campinas.
O Museu Exploratório de Ciências custeará as passagens de avião de 37 equipes para participarem da final, selecionadas de acordo com sua pontuação nas fases online. Serão selecionadas: para cada estado da federação, a equipe com maior pontuação; a equipe de escola pública com maior pontuação em cada uma das cinco regiões do país (norte, nordeste, sudeste, sul e centro-oeste) e as cinco equipes de escola pública com maior pontuação, independente da região.
Os professores responsáveis por essas equipes serão convidados a permanecer na Unicamp para realizar um curso de capacitação de uma semana, com custos de hospedagem cobertos também pelo Museu, após a final da Olimpíada.
A Olimpíada premiará escolas, alunos e professores, com 60 medalhas de ouro, 100 de prata e 140 de bronze, além de certificados de participação para todos os inscritos e todas as escolas participantes.
Gabriela Villen
Assessoria de Imprensa
Museu Exploratório de Ciências
Universidade Estadual de Campinas
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(19) 3521 1729