Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.







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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Somos Todas Rainhas

A coleção História das Mulheres Negras: Passado, Presente e Futuro possui o objetivo de resgatar, valorizar e divulgar o papel e a importância das mulheres negras na sociedade brasileira, nas Américas e no mundo, pois sua contribuição foi negada na história oficial do Brasil durante anos.
Leia a cartilha através do site: http://afrika.org.br/str-web/

10 Maneiras para uma infância sem racismo


1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Palavras, olhares, piadas e algumas expressões podem ser desrespeitosas com outras pessoas, culturas e tr
adições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer!

3. Não classifique o outro pela cor de pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.


4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apóie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito a crescer sem ser discriminado.


5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa junto ao conselho tutelar, às ouvidorias dos serviços públicos, da OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.


6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.


7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.


8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.


9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.


10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.


Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2010/11/29/unicef-lista-dez-maneiras-de-contribuir-para-uma-infancia-sem-racismo.htm

Nomes Angolanos em UMBUNDU

Lista de nomes em lingua umbundo. A lista feita pelo Huambo Digital.

  1. CASANDI - Deriva de “okusandjilia”, procurar. Significa não procurar. Sentido: tudo o que querer vem ter com ele, não precisa de procurar.
  2. CHACOCO - Deriva de “tcha kwokwo”, que quer dizer por ele mesmo, de suas mãos. Sentido: batalhador, lutador, aquele que alcança os seus objectivos lutando por eles.
  3. CAVITA - Deriva de “ovita”, que quer dizer problema. Significa de problema, problemático. Será o nome que se dá àquele que nasce quando há conflito entre os seus progenitores?
  4. CHICA (TCHIKA) - Aquele que se habitua ou se adapta com facilidade.
  5. EPALANGA - Deriva de “epalanga liange”. Significa meu amigo e companheiro.
  6. ELAVOKO - Significa esperança, por ter nascido na véspera do Natal ou porque antes do seu nascimento faleceram muitos outros filhos do mesmo casal.
  7. EKUMBI - Sol.
  8. HOSSI - Deriva de “ohosi”, leão. Nome próprio do gémeo que nasce em segundo lugar, quando forem todos do sexo masculino.
  9. HANDANGA - Significa reinar no lugar da mulher. Quando um rei ou soba morresse sem sobrinho nem filho e tivesse apenas como herdeiro uma filha casada, sucedia-lhe esta e esta, por sua vez, declinava a responsabilidade ao seu marido.
  10. KASOMA - Deriva de “osoma, osoma itito”. Nome dado ao chefe de uma aldeia ou ao parente de “osoma”.
  11. KAPIÑGALA - Herdeiro, substituto, sucessor.
  12. KASINDA - Nome próprio de quem nasce logo depois de gémeos, independentemente do seu sexo.
  13. KAPUKA - Deriva de “okapuka”. Nome de uma planta antídoto de veneno. Sentido: curador, salvador.
  14. KAVINOQUEKA - Significa nada me cinge.
  15. KALUNGA - Mar.
  16. KAHOSI - Deriva de “ohosi”, leão mais o prefixo “ka”, que serve de diminutivo ou partícula negativa. Sentido: leão pequeno ou pequeno leão.
  17. KALEYI - Substituto ou representante do “osoma”.
  18. KALITANGI - Deriva de “walitanga ohopa”. Nome dado a uma criança, sem distinção de sexo, quando traz o umbigo enrolado ao corpo.
  19. KALUMBU - Deriva da palavra “elumbu”, que quer dizer surpresa. Dá-se este nome à criança quando a mãe concebeu num período irregular do ciclo menstrual, isto é, nos primeiros meses posteriores ao parto, enquanto ainda amamenta. Sem contar com o ciclo menstrual, apercebe-se que está de novo grávida.
  20. KANDIMBA - Deriva de “ondimba”, coelho. Este nome é símbolo de esperteza e astúcia.
  21. KANGUYA - Deriva de “onguya”, agulha mais o prefixo “ka”. Significa pequena agulha.
  22. KAPITANGO - Deriva de “kapiti etango”, aquele que não passa em vão. Sentido: anunciador, núncio. É também o nome de um cogumelo comestível depois de seco e cozido.
  23. KASOVA - Deriva do verbo “okusoveka”, alternar. Normalmente dá-se este nome à criança que nasce depois de dois, três ou mais de sexo oposto ao seu.
  24. KATANYA - Nome que se dá à criança que ficou órfão de pai antes da sua nascença.
  25. KULEMBE - Deriva de “okulembeleka”, consolar. Significa consolação após uma longa espera; finalmente nasce aquele que vem trazer o consolo, a alegria na família.
  26. KUSUMWA - Deriva de “esumwo”, desgraça. Nome dado ao filho que nasce depois de dois ou três ou mais anos depois do casamento ou ainda pode se dar à criança que encontra algum desentendimento entre os pais.
  27. KANGANDJO - Deriva de “ngandjo”, cubata. Será por ter nascido numa cubata?
  28. KUMOLA - Aquele que prevê, vidente.
  29. KATCHIKUKUVANDA - Não sabe onde vai, indeciso, sem norte.
  30. LUVINDA - Amarrador, trançador. É também o nome da armadilha que se faz entrançando o capim.
  31. LUSATI - Deriva de “olusati”, resto de um milheiro cortado em crescimento e sem possibilidade de crescer nem de morrer. Nome dado à criança que nasce sem ter encontrado o seu pai, por pré-morte deste ou ainda àquela criança que, alem d perder o pai, venha também a perder a mãe logo o parto.
  32. MOKO - Deriva de “omoko”, faca.
  33. MUHONGO - Nome que é atribuído à criança que, independentemente do sexo, nasce para alem do período considerado normal para uma gravidez, que pode alcançar 14 ou 15 meses. Por isso mesmo, o seu nascimento constitui uma surpresa até ao dia do parto.
  34. MULUNGO - Deriva de “omulungu”, órfão de pai e mãe logo à nascença.
  35. MUNGA - Celestial, anjo, justiceiro, testemunha.
  36. NGEVE - Deriva de “ongeve”, hipopótamo. Nome atribuído ao gémeo que nasce em segundo lugar, quando for do sexo feminino.
  37. NJAMBA - Deriva de “onjamba”, elefante. Nome dado ao primeiro filho que nasce de um parto de gémeos, indistintamente do sexo.
  38. NGONGO - Deriva de “ongongo”, farol. Significa orientador.
  39. NAMBUNDI - Deriva de “ombundi”, nome de um arbusto das savanas cujas raízes servem para fazer fermentar a “otchisangwa” (bebida tradicional feita de farinha de milho). Será por negociar o “ombundi”?
  40. NDAVOKA - Deriva do verbo “okulavoka”, esperar. Significa esperado.
  41. NANGOMBE - Deriva de “ongombe”, boi mais o prefixo “na”, mãe de. Literalmente, traduz-se em “mãe do boi”. Sentido: nome que se atribui ao proprietário de um certo número de cabeças de gado, como símbolo da sua riqueza.
  42. NATULA - Nome comum para as mulheres ousadas, autoritárias e matronas.
  43. NATUMBU - Deriva de “utumbu”, farelo. Será por fabricar aguardente à base de farelo?
  44. NAVIMBI - Deriva de “otchivimbi”, morto e do prefixo “na”, mãe de. Será que é o nome atribuído à mulher cujos filhos nascem mortos ou não sobrevivem por muito tempo?
  45. NAVITA - Deriva de “ovita”, guerra mais o prefixo “na”, mãe de. Será porque a sua presença a fonte de conflitos na comunidade?
  46. NDALA - Deriva de “ondala”, espécie de víbora. Nome de uma cobra voadora das montanhas, que ataca mortalmente os homens e animais a partir da cabeça. Sentido: nome utilizado como alcunha por chefes, com o objectivo de destacar a sua acção.
  47. NDUMBU - Deriva de “ondumbu”, leão. Sentido: baluarte, protector.
  48. NGONGA - Deriva de “ongonga”, falcão.
  49. NASSOMA - Rainha.
  50. PAKISI - Nome que se dá a uma criança que nasce órfão de pai e depois, a mãe, sem meios para a sustentar, abandona-a e ela é recolhida por alguém que a encontre.
  51. SONEHÃ - Deriva do verbo “okusonehã”, escrever.
  52. SASONDE - Nasceu no momento em que há problemas entre o casal.
  53. SINJEKUMBI - Aquele que espera pelo nascer do sol.
  54. SAMAHINA - Deriva de “omahini”, leite azedo. Será que é o nome que se dá à criança porque a mãe durante a gravidez se alimentou a base de leite azedo?
  55. SANDAMBONGO - Nome que se dá à criança que teria nascido numa altura em que o pai se encontrava em viagem de negócio ou preocupado em conseguir algum dinheiro para uma necessidade pontual.
  56. SAPALO - Nome que se dá às crianças que nascem no Sábado.
  57. SAVIMBI - Deriva de “otchivimbi”, morto mais o prefixo “sa”, pai de.
  58. TCHIKUKUMA - Deriva de “tchikukuma tchitulatula”, pessoa que facilmente se irrita e com a mesma facilidade recupera o humor.
  59. TCHILEPUE- Cauteloso, lento, vagaroso.
  60. TCHOPELONGA - Tradução literal, do prato. Sentido: só faz o que lhe diz respeito.
  61. TCHILOMBO - Nome que se dá à criança cuja mãe concebeu sem ser iniciada e deu à luz quando ainda se encontrava na iniciação. Dá-se também este nome quando alguém nasce num acampamento “otchilombo”: de guerra, de caça, de comércio, etc; sedentária.
  62. TCHIMUKU - Deriva de “omuku”, rato. Tchimuku refere-se a um grande rato (ratazana).
  63. TCHIPENDA - Deriva do verbo “okupenda”, abrir caminho. Sentido: timoneiro, líder, condutor.
  64. TCHIPILIKA - Deriva do verbo “okupilika”, insistir. Sentido: perseverante, teimoso.
  65. TCHITEKULO - Benfeitor. Pessoa bondosa e prestável.
  66. TCHITULA - Nos tempos em que os povos eram nómadas, não lhes era possível construir casas com carácter definitivo. Construíam, sim, cubatas de capim, porque a qualquer momento teriam de se deslocar para outra localidade. Quando se fixassem numa nova zona, a primeira criança que ali se nascesse, naquelas condições provisórias e precárias, lhe era atribuído o nome de Tchitula.
  67. TCHITWE - Deriva do prefixo “tchi”, partícula aumentativa (grande) mais a palavra “utwe”, cabeça. Literalmente traduz-se cabeça grande. Por alegoria significa chefe, timoneiro, homem de vasta cultura.
  68. TCHIVINDA - Deriva de “otchivinda”, ferreiro.
  69. VITI - Árvore, pau.
  70. VITULO - Sorteado.
  71. WELEMA - Deriva de “owelema”, escuridão. Será que se atribui este nome por a criança ter nascido de noite?

terça-feira, 29 de maio de 2012

100 maneiras de usar o Facebook em sala de aula



Há inúmeras maneiras de usar a rede social mais popular do mundo em sala. Veja 100 dicas para que suas aulas fiquem mais dinâmicas e conquistem seus alunos


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Crédito: Shutterstock.com
Faça um intercâmbio online com alunos de outros países ou regiões, compartilhe atividades e experiências
 
O Facebook é a maior rede social do mundo: atualmente, conta com mais de 900 milhões usuários. Mesmo que você não tenha um perfil nela, deve perceber a popularidade em conversas com seus alunos e colegas. Os jovens inserem a internet em todas as áreas de sua vida, e costumam utilizar a rede inclusive para buscar conteúdos educacionais e ferramentas de aprendizado. Com o tempo, o Facebook tem aberto cada vez mais portas para que as escolas e professores possam usá-lo para melhorar a educação e, principalmente, a comunicação com seus alunos.
 
  
Aproveite 100 dicas e use o Facebook em sala de aula:

Facebook em sala de aula: dicas para utilizar os recursos do Facebook

1- Peça informações: Ao invés de utilizar a Wikipédia, procure por especialistas que tenham perfil na rede e possam ajudar você. Além disso, você pode se comunicar com os pais de seus alunos, especialmente quando forem menores, e pedir ou fornecer informações sobre eles.
 
2- Veja vídeos-aula: Diversas universidades de vários países diferentes disponibilizam vídeos de aulas ou palestras em suas páginas online.
 
3- Museus: Indique páginas de museus, galerias de arte e exibições para que seus alunos possam enriquecer ainda mais o uso do Facebook e entrem em contato com diferentes conteúdos educacionais.
 
4- Contato pessoal: os estudantes podem entrar em contato com parentes distantes para fazer pesquisas genealógicas ou com personalidades locais para discutir matérias tratadas em sala de aula.
 
5- Falar com autoridades: Políticos, governantes e outras instituições também podem ser contatadas pelos alunos para despertar a participação política e o ensino de valores de cidadania e democracia.
 
6- Jogos Educacionais: Muitos dos jogos disponíveis no Facebook são educacionais. Você pode estabelecer metas e fazer um campeonato interno entre os alunos.
 
7- Pesquisas: É comum que os professores solicitem entrevistas ou pesquisas com o público aos estudantes. Você pode levar essa pesquisa para a rede social e aumentar ainda mais o alcance da investigação.
 
8- Aplicativos: O Facebook disponibiliza várias ferramentas que você pode adotar para aumentar a dinâmica em sala de aula.
 
 

Facebook em sala de aula: dicas para projetos e tarefas

9- Desafios: Como em uma classe, você pode participar de desafios, competições e gincanas feitas por instituições educacionais e outras companhias.
 
10- Livros: peça para que os alunos compartilhem no Facebook suas opiniões e análises sobre os livros que você pediu para lerem.
 
11- Consiga apoio: Se sua escola está passando por uma restrição de recursos você pode divulgar as causas no Facebook e procurar por recursos e apoios, seja financeiro ou não.
 
12- Nota extra: Organize uma pequena gincana com os alunos e passe atividades relâmpago pela rede social para que eles realizem dentro de um prazo limitado. Além disso, você pode postar atividades extras, sem que haja limitação de tempo ou gincana.
 
13- Notícias: Se você for professor de geografia, por exemplo, e estiver tratando de geopolítica, pode pedir aos alunos que reúnam as principais matérias sobre o tema e compartilhem em suas páginas para gerar discussões e debates. As mais comentadas poderão virar assunto em sala de aula para maior desenvolvimento.
 
14- Documentar: Em aulas de biologia onde os alunos estudam o desenvolvimento das plantas, você pode montar um projeto de documentação desse projeto. A cada dia, ou uma vez por semana, o aluno conta sobre sua plantinha e como ela está se desenvolvendo.
 
15- Habilidades: use o Facebook para ensinar habilidades como fazer contatos e colaborações.
 
16- Fazer aplicativos: alunos de ciências da computação ou informática mais avançada podem desenvolver aplicativos para a escola dentro da rede social.
 
17- Criar conteúdos: No Facebook, é muito fácil criar e compartilhar conteúdos. Peça aos seus alunos que desvendem essas ferramentas e as utilizem para aplicar as matérias aprendidas em aula.
 
18- Causas: a rede social possibilita a criação de grupos para defender causas. Estimule seus alunos para que se reúnam e façam um movimento, projeto, etc. Eles podem procurar por problemas nas áreas em que vivem ou ao redor da escola.
 
19- Brainstorm: os estudantes podem usar a página da escola ou o grupo da sala para ter ideias e fazer reuniões online de brainstorm.
 
20- Diários: os alunos podem postar anotações de seus diários online e dividi-los com a classe e seus amigos.
 
21- Caça ao tesouro: desenvolva uma gincana com a sala. Faça um caça ao tesouro online e divida a turma em grupos.
 
22- Clube do livro: fomente a leitura por meio da criação de clubes do livro online.
 
23- Etiqueta online: dê dicas e instruções sobre como se comportar online, segurança na internet, como evitar fraudes e golpes, como funciona a polícia em crimes cibernéticos e como denunciar possíveis abusos e outros crimes online.
 
24- Galeria online: os alunos podem reunir diversos conteúdos, artísticos ou não, e desempenhar o papel de curadores a partir de determinado tópico.
 
25- Exercícios: em épocas de prova, você pode postar exercícios e atividades para que os alunos pratiquem os conteúdos que serão cobrados.
 
26- Perfis falsos: em aulas de história, por exemplo, você pode pedir que os alunos criem perfis falsos de personagens históricos, como Napoleão Bonaparte.
 
27- Resumos: ao pedir a leitura de livros ou textos mais extensos, solicite aos alunos que postem online resumos sobre as obras ou críticas e análises.
 
28- Notícias da escola: peça aos alunos que sirvam como fontes de notícias e postem na página da escola ou da sala quais são os próximos eventos ou provas. Você pode separar uma pessoa específica para essa função.
 
 

Facebook em sala de aula: dicas de compartilhamento

 
29- Transfira o blog: se sua sala possui um blog, transfira-o completa ou parcialmente para o Facebook. Dessa forma, os alunos poderão compartilhar os conteúdos de maneira mais interativa e prática.
 
30- Envolva os pais: Não são apenas os estudantes que podem se envolver nos projetos. Compartilhe as iniciativas com os pais e responsáveis dos alunos, reforçando ainda mais a relação e responsabilidade dos pais com a educação dos filhos.
 
31- Dia do bichinho: Para descomplicar uma situação presencial, você pode fazer o “Dia do bichinho de estimação” online. Peça aos alunos que enviem fotos de seus animais e algumas informações, com histórias curiosas sobre eles.
 
32-Vídeos: você pode armazenar vídeos de aulas, palestras ou outros conteúdos relevantes para criar uma videoteca virtual acessível para os alunos e pais.
 
33- Álbuns de fotos: Quando houver passeios ao zoológico ou outros locais, você pode criar álbuns com as fotos da excursão e compartilhar com os estudantes.
 
34- Vocabulário: Você ou toda a sala (organize um cronograma primeiramente) podem postar palavras diferentes ou difíceis com as definições para aprimorar o vocabulário da turma.
 
35- Gráficos: peça aos pais e/ou alunos que compartilhem informações sobre seus hábitos e características pessoais ou preferências. A partir disso, você pode criar gráficos informativos que servem de apoio para as aulas.
 
36- Perguntas: O Facebook disponibiliza a ferramenta de perguntas, que pode ser muito útil, tanto para os alunos quanto para os professores. Você pode criar enigmas ou deixar o aplicativo disponível para que os alunos tirem dúvidas online.
 
37- Outros arquivos: você pode armazenar fontes, links úteis, apresentações em PowerPoint no grupo da sala ou na página da escola.
 
38- Conteúdo educacional: conteúdos que estão sendo tratados na sala podem ser enriquecidos com outras informações online, como vídeos-aula, etc.
 
 

Facebook em sala de aula: dicas de colaboração e discussão

39- Feedback: se você tem ideias para atividades ou tarefas diferentes e gostaria de saber a opinião dos alunos, peça que eles compartilhem online.
 
40- Escrita colaborativa: Você pode montar uma atividade de escrita colaborativa onde cada aluno faz parte do texto. O resultado pode ser um pequeno livro ou apostila.
 
41- Canal: para públicos maiores, você pode organizar uma fórum de discussão em tempo real, enquanto os conteúdos são transmitidos em sala ou depois.
 
42- Idiomas: conecte seus estudantes com pessoas de todo mundo. Se você é professora de inglês ou espanhol e possui amigos do exterior que falam essas línguas, organize bate papos para que os estudantes possam praticar os idiomas.
 
43- Participação: para alunos que são mais tímidos ou não gostar de falar em público, você pode organizar atividades de participação online, onde eles se sintam mais a vontade para interagir.
 
44- Grupos de estudo: os alunos podem montar grupos online das equipes de trabalho ou de estudo para se organizarem mais facilmente.
 
45- Opinião: você irá fazer uma sessão de cinema ou alguma outra atividade e possui várias opções de escolha de filme? Peça aos alunos que escolham em uma pesquisa online.
 
46- Estudantes formados: procure os perfis de alunos que já estão formados para que compartilhem suas experiências acadêmicas e profissionais com os alunos.
 
47- Notas: nessa ferramenta, os alunos podem compartilhar os trabalhos ou textos e receber a opinião dos colegas e dos professores.
 
48- Mundo: faça um intercâmbio online com alunos de outros países ou regiões, compartilhe atividades e experiências.
 
49- Outros professores: discuta essas ideias em grupos de professores, seja da mesma escola ou área de ensino.
 
50- Ajuda na lição: os estudantes podem ajudar uns aos outros por meio dos grupos de Facebook, com a sua supervisão para evitar plágios ou outros erros.
 
51- Palestras: encontre especialistas ou outros palestrantes para que tragam conteúdos relevantes para a sala de aula, seja online ou presencialmente.
 
 

Facebook em sala de aula: dicas de organização

52- Eventos: deixe os alunos informados e disponibilize um calendário online.
 
53- Grupos: se você é professor de diversas classes, organize essas turmas em grupos diferentes.
 
54- Aniversários: Use o Facebook como lembrete de aniversários, feriados e outras comemorações.
 
55- Relacionamento: em salas maiores pode ser mais difícil se relacionar com cada estudante em particular. Você pode aproveitar o ambiente online para conhecer melhor seus alunos.
 
56- Mantenha-s atualizado: Seus e-mails podem ser ignorados, mas você pode manter o controle de quem leu seus recados pedindo aos alunos de “curtam” aquilo que você postar.
 
57- Reconhecimento: quando uma classe ou aluno alcança alguma meta ou resultado relevantes você pode dar reconhecimento e motivação online para que todos se sintam considerados.
 
58- Recados: Ao invés de distribuir recados e autorizações em papel, disponibilize-os online e peça aos pais que imprimam em casa, garantindo maior retorno.
 
59- Debates: Se você não tem tempo suficiente para continuar um debate em aula, leve-o para o grupo da sala online e continue a discutir as ideias.
 
60- Avisos urgentes: caso ocorra algum imprevisto, você pode comunicá-lo para pais e alunos, tanto na página da escola quanto no grupo da sala.
 
61- Fique de olho: Alunos que não entregam a lição por que ficaram sem internet podem ser avaliados de acordo com o histórico no Facebook.
 
62- Mapa: em aulas de geografia, peça aos alunos que compartilhem fotos, informações e mapas de seus locais preferidos.
 
63- Pais: os pais podem manter-se conectados para saber o que acontece em aula e quais são as próximas provas ou projetos.
 
64- Provas: pergunte aos alunos como eles acham que foram nas provas e quais suas opiniões sobre as questões levantadas nos testes.
 
65- Atualizações: Durante trabalhos ou projetos, você pode se manter atualizado sobre o desempenho dos alunos, perguntando como eles estão e quais são as principais dificuldades encontradas.
 
66- Participação em aula: Aumente a interação e permita que os alunos façam observações, comentários e perguntas online durante a aula.
 
67- Carreira: conecte os alunos com pessoas especializadas em treinamento profissional e de carreira e com outros profissionais das áreas que eles desejam seguir depois da escola.
 
68- Recursos: Use a página no Facebook para levantar recursos para passeios ou outros projetos.
 
69- Páginas para os pais: é uma excelente oportunidade de conectar pais e professores de maneira prática e eficiente, sem burocracias.
 
70- Interesses: Encontre quais são as novas tendências e interesses dos alunos e procure inseri-los em classe para aumentar o envolvimento.
 
71- Concursos: envolva os alunos em concursos que coloquem em prática os conteúdos aprendidos na aula. Você pode permitir que estudantes de outras turmas ou de fora da escola também participem.
 
72- Lembretes: alunos ausentes podem ser lembrados das aulas e atividades para que não percam notas.
 
73- Assuntos: preste atenção nas conversas e debates online (não apenas da sala, mas em geral) por que estes botem gerar assuntos para discussão em sala de aula.
 
74- Prazos: Mesmo disponibilizando calendários você pode lembrar os alunos com recados sobre as próximas entregas.
 
75- Livros: Marque livros para download que os alunos podem utilizar para leitura complementar ou obrigatória.
 
76- Instruções: deixe instruções para trabalhos disponíveis online para consulta.
 
77- Celebre: quando determinados projetos forem finalizados, você pode celebrar o desempenho da sala ou determinado grupo ou pessoa.
 
 

Facebook em sala de aula: dicas de aplicativos e grupos

78- Cursos: esse aplicativo permite a administração de cursos no Facebook.
 
79- CiteMe: os alunos podem usar esse aplicativo para fazer citações de maneira adequada.
 
80- Booktag: Compartilhe livros e peça que os alunos comentem nesse aplicativo.
 
81- Universidades: as universidades possuem páginas online que facilitam o acesso de futuros estudantes e informações.
 
82- Calendar: esse é o aplicativo que permite a criação de calendários online.
 
83- Knighthood: Esse jogo promove a prática da leitura de maneira divertida e dinâmica.
 
84- Mathematical Formulas: os professores de matemática podem passar esses recursos para os alunos estudarem fórmulas e soluções.
 
85- Sebos: procure por grupos de sebos ou outras lojas para que os alunos possam adquirir materiais mais baratos.
 
86- Webinairia: capture vídeos para sua aula.
 
87- JSTOR Search: artigos e conteúdos acadêmicos podem ser procurados nesse aplicativo.
 
88- Homework Help: esse aplicativo oferece ajuda para alunos em suas lições de casa. Por ser em inglês, pode ser usado nas tarefas de inglês.
 
89- Word of the Day: use essa ferramenta como fontes para encontrar palavras ou dias históricos e compartilhar com os alunos.
 
90- Zoho Online Office: Compartilhe e armazene documentos nesse aplicativo.
 
91- Notely: Muito bom para fins educacionais, ele é usado para organizar documentos e notas.
 
92- Language Exchange: ajuda seus alunos a se conectarem com línguas estrangeiras e praticarem.
 
93- Typing Test: aplicativo que ajuda os estudantes a desenvolver suas habilidades de digitação.
 
94- Quiz Monster: essa ferramenta ajudar você a montar questionários online.
 
95- Grupos de estudo: esse aplicativo foi desenvolvido para criar o ambiente perfeito para grupos de estudo.
 
96- Notecentric: encoraje os alunos a fazer e compartilhar anotações usando esse aplicativo.
 
97- Slideshare: compartilhe apresentações, documentos, fotos e outros conteúdos por meio dessa ferramenta.
 
98- WorldCat: Essa ferramenta permite que você faça pesquisas, partilhe fontes e mais.
 
99- Hey Math! Challenge: Esse aplicativo ajuda os alunos a entender conceitos de matemática mais complexos.
 
100- Flashcardlet: Com essa ferramenta você criar seus próprios cartões de estudos para que os alunos usem na hora dos estudos. 

Fonte:  http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/05/25/936671/100-maneiras-usar-facebook-em-sala-aula.html

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nelson Mandela


Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na cidade de Qunu, na África do Sul. Passou a infância na região de Thembu, antes de se formar em Direito. Mandela foi um guerreiro na luta pela liberdade e o principal representante do movimento antiapartheid, tornando-se um importante líder político. Todavia, era considerado um terrorista pelo governo sul-africano.
Em 1990, foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz, sendo recebido em 2002. Na África do Sul também é conhecido como 'Madiba', um título honorário adotado por membros do clã de Mandela. Entre 1994 e 1999, Mandela, como ficou conhecido no mundo, foi eleito presidente da África do Sul.

O que é o apartheid
Apartheid – apartar - na língua africana significa "vidas separadas". Era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos.

Embora a maioria da população fosse constituída de negros, a segregação vinha se mantendo na África do Sul desde o século 17, época em que a região foi colonizada por ingleses e holandeses. O governo era controlado pelos brancos, que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. O termo só passou a ser usado legalmente em 1948.

Luta contra o apartheid
Ainda estudante de Direito, Mandela começou sua luta contra o regime do apartheid. No ano de 1942, entrou efetivamente para a oposição, ingressando no Congresso Nacional Africano (movimento contra o apartheid). Em 1944, participou da fundação, junto com Oliver Tambo e Walter Sisulu, da Liga Jovem do NCA, conhecido no Brasil pela sigla portuguesa: CNA Congresso Nacional Africano.

Durante toda a década de 1950, Nelson Mandela foi um dos principais membros do movimento anti-apartheid. Participou da divulgação da “Carta da Liberdade”, em 1955, documento pelo qual defendiam um programa para o fim do regime segregacionista.
Mandela sempre defendeu a luta pacífica contra o apartheid. Porém, sua opinião mudou em 21 de marco de 1960. Neste dia, policiais sul-africanos atiraram contra manifestantes negros, matando 69 pessoas. Esse dia, conhecido como “O Massacre de Sharpeville”, fez com que Mandela passasse a defender a luta armada contra o sistema.
Em 1961, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, conhecido como "Lança da Nação". Passou a buscar ajuda financeira internacional para financiar a luta. Porém, em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado à prisão perpétua por planejar ações armadas.

Em junho de 1967, foi sentenciado à prisão perpétua por planejar ações armadas.
Na prisão, Mandela enviou uma declaração para o CNA, - Congresso Nacional Africano - que chegou ao público em 20 de junho de 1980, em que dizia: "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna, que é a ação da massa unida. e o martelo, que é a luta armada, devemos esmagar o apartheid!"


Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990
Nesses 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Nesse período de prisão, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo. Em 11 de fevereiro de 1990, graças à campanha do CNA e à pressão internacional, Mandela foi libertado por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. O CNA também foi tirado da ilegalidade.

Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.
Em maio de 1994, tornou-se o presidente da África do Sul. Ressalte-se que foram as primeiras eleições multirraciais do país. Ele se uniu às personalidades do CNA, e também a representantes de linhas políticas para governar. Governou até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.
Com o fim do mandato de presidente, Mandela afastou-se da política, dedicando-se às várias organizações sociais em prol dos direito humanos. Recebeu, ao longo desses anos, diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais. Entre elas a luta contra a AIDS.
Em junho de 2004, aos 85 anos, retirou-se da vida pública. Embora sua saúde esteja muito frágil nestes últimos anos, ele vem mantendo o seu compromisso em lutar contra a AIDS.
Em junho de 2008, foi homenageado com um grande show em Londres, por ocasião de seus 90 anos. Participaram do evento cantores mundialmente conhecidos.
Embora enfraquecido pela doença, Mandela estava exuberante e pretendia comparecer à abertura da Copa da África do Sul, a primeira a ser realizada no continente africano, no dia 12 de junho. Porém, na véspera da abertura, de madrugada, a sua bisneta, Zenani Mandela, de 13 anos, morreu num acidente de carro. E Nelson Mandela não pôde comparecer à festa.

Casamentos, separações e aposentadoria
Mandela casou-se três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, de quem se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.


Dia Internacional de Nelson Mandela 
- A partir de 2010, será celebrado em 18 de julho de cada ano, o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.


Algumas frases de Nelson Mandela
- “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
- “Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria é uma concha vazia."
- "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitas para viverem como irmãos." 
- "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação." 
- "Não há caminho fácil para a Liberdade." 
- "A queda da opressão foi sancionada pela humanidade e é a maior aspiração de cada homem livre." 
- "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias." 
- “O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo.”
- “Não há nada como regressar a um lugar que está igual para descobrir o quanto a gente mudou.”
"Se quiser fazer as pazes com o seu inimigo, você tem que trabalhar com ele. Daí, ele se torna seu parceiro."
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Salve a Terra Mãe!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Documentário Abdias, Raça e Luta

Assistam o documentário pelo site da Tv Senado, acessem o link abaixo:
http://www.senado.gov.br/noticias/tv/programaListaPadrao.asp?txt_titulo_menu=Document%E1rios&ind_programa=N&cod_programa=3

sábado, 19 de maio de 2012

Programação especial marca a Semana da África na TV Brasil


Entre as atrações estão os inéditos Caminhos da Reportagem dedicado a Quilombos e o Rede Jovem de Cidadania sobre Kora Brasil, um encontro sonoro entre instrumentos de cordas de origem africana e a música afro-brasileira. Também voltam ao ar os melhores momentos da primeira temporada da série Nova África e o longa "Mama África", produção brasileira de 2010, dirigida por Alê Braga.
Semana África



Rede Jovem de Cidadania

Kora Brasil. O encontro sonoro entre o instrumento de cordas de origem africana e a música afro-brasileira
Segunda(21) - 17h30

Brasilianas.org

As relações entre Brasil e África. Empresas brasileiras no continente africano e os novos arranjos internacionalizantes
Segunda(21) - 22h

Nova África

A Ilha de Moçambique. Conheça a história da antiga Colônia portuguesa
Segunda(21) - 20h00

Expedições

Quilombo dos Palmares. A história dessa nação, criada por negros fugidos de engenhos e terra de Zumbi, é a atração do Expedições
Terça(22) - 19h30

Nova África

A juventude em Moçambique. Perspectivas de vida dos jovens no país africano
Terça(22) - 20h00

A TV Que Se Faz no Mundo

Senegal. Programas musicais fazem grande sucesso na televisão do país
Quarta(23) - 00h00

Nova África

Zimbábue, que país é esse?. A luta pela posse da terra é um dos conflitos do país
Quarta(23) - 20h00

Nova África

Vida dos Himbas na Namíbia. Um registro da diversidade de paisagens desse território de colonização alemã
Quinta(24) - 20h00

Caminhos da Reportagem

Quilombos. Programa foi até a Bahia, Maranhão e Rio Grande do Sul para mostrar a luta e a resistência dessas comunidades
Quinta(24) - 22h00

Nova África

O Conflito entre Turismo e Ecossistema em Botsuana.. É possível o desenvolvimento sustentável na região?
Sexta(25) - 20h00

Nova África

O Povo San em Botsuana e o Povo Pigmei no Congo. Perseguição cultural e opressão econômica em Ruanda e Uganda
Sexta(25) - 22h00

Programa de Cinema

Mama África. Filmado em dez países do continente, documentário mostra um pouco das muitas Áfricas que o mundo desconhece
Sexta(25) - 22h30

Expedições

Quilombo dos Palmares. A história dessa nação, criada por negros fugidos de engenhos e terra de Zumbi, é a atração do Expedições
Sábado(26) - 16h00

Nova África

O congo moderno e os acampamentos. Programa mostra as riquezas do país assolado pela guerra civil por mais de uma década
Sábado(26) - 20h00

DOC Especial

Nelson Mandela. Um retrato da vida do líder africano e os episódios do fim ao apartheid
Domingo(27) - 22h30

Ver TV

A África no Brasil e o Brasil na África - vistos através da televisão. A realidade e a fantasia de lá e de cá mostradas na TV
Domingo(27) - 17h
 
Fonte: Blog Faça valer a lei 11.645/08

25 DE MAIO DIA DA ÁFRICA



A Prefeitura Municipal de São Francisco do Conde, através da SEGOV/DEPIR – Departamento da Promoção de Igualdade Étnico Racial, em parceria com Instituto Municipal Luiz Viana Neto, estará promovendo no próximo dia 24 de Maio quinta feira as 09:00 manhã, uma Mesa Redonda que abordará aspectos do : Brasil, África, Politica e Economia, o evento fará parte das comemorações do Munícipio em Homenagem aoDia da África que é Comemorado em todo o Mundo no dia 25 de Maio,


Palestrantes:

Vilma Reis: Professora Socióloga, militante do Movimento negro, atualmente Coordenadora do Ceafro / Ceao/UFBA.

Hamilton Borges Walê: Poeta, Escritor, Ativista do movimento negro, atualmente é Coordenador do Movimento Quilombo X Ação Cultural Comunitária, Militante e Coordenador da Campanha Reaja.

Diana Costa: Professora e Históriadora especializada em Cultura Africana e Afro-Brasileira Militante da Luta pela Igualdade Racial e Assuntos Antidiscriminatórios.

Sérgio São Bernardo: Advogado, professor do curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Coordenador do curso de Extensão Universitária “ Direito e Relações Raciais, Ativista do Movimento Negro, Membro Instituto Pedra de Raio - IPR.

Ubiratan Castro de Araújo: Possui graduação em História pela Universidade Católica do Salvador (1970), mestrado em História - Université de Paris X, Nanterre (1973) e doutorado em História - Universite de Paris IV (Paris-Sorbonne) (1992). Atualmente é diretor geral da Fundação Pedro Calmon - Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil.

Serviço: Mesa Redonda – Brasil, África, Politica e Economia.

Data: 24 de maio quinta-feira – Hora: 09:00h

Local: Câmara Municipal de São Francisco do Conde

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Curso de formação (Ancestralidade, costurando e bordando a cidadania) palestrante Historiadora Diana Costa

Quinta-feira dia 10/05/2012 participei do curso de formação (Ancestralidade, costurando e bordando a cidadania), esse curso foi dirigido para jovens mulheres que almejam ser baianas de acarajé, o evento foi realizado pela ABAM (Associação de Baianas de Acarajé e Mingau) com parceria da SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres) e teve como tema: A Importância das Organizações Sociais no enfrentamento a violência de Gênero (Na perspectiva de mulheres negras).

Retratei a importância do Movimento de Mulheres, a atuação das Organizações Sociais no enfrentamento a violência contra a mulher, expliquei o que é violência de gênero, tipos de violência, o papel das casas de acolhimento e centros de referência e Lei Maria da Penha. Conversamos sobre baixo-estima, dependência econômica, as dificuldades que as vítimas tem em prover seu próprio sustento e dos seus filhos (as), as dependências emocionais e a falta de perspectivas.

Abrimos uma roda de diálogos, expliquei o que o Estado e o Judiciário nos assegura, o papel das DEAM's, pontuei as 11 estratégias do II Plano Estadual de Políticas para as Mulheres e dados estatísticos da violência que nós mulheres sofremos, falei da importância da criação da SPM, mostrei que mesmo estando asseguradas pela Lei Federal Maria da Penha o nosso país é o sétimo em "FEMINICIDIO" num ranking de 84 países.

Finalizei fazendo um recorte do perfil  das mulheres do Séc. XXI, com sua dupla e tripla jornada, realizam seus sonhos, são empreendedoras e sabem perfeitamente que podem alcançar todos os seus objetivos.

Enfim, minha manhã foi maravilhosa, pois vi um novo brilho nos olhos daquelas mulheres.

Agradeço a Rita Santos (Presidente da ABAM) pelo convite.

#muitofelizmesmo

Jornal É Massa nota com a Historiadora Diana Costa‏

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Segue a nota da entrevista que dei para o Jornal É Massa (Grupo A Tarde), sobre a votação do STF (Supremo Tribunal Federal), no qual foi pautado a aprovação das cotas nas universidades públicas do nosso país.
A entrevista foi feita pela jornalista Maíra Azevedo por telefone, acho que a mesma ouviu meu nome errado e publicou Diana Gomes.
As ações afirmativas se definem como políticas públicas voltadas a concretização do princípio constitucional da igualdade material, a neutralização dos efeitos perversos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem. Essas medidas visam a combater não somente manifestações flagrantes de discriminação, mas a discriminação de fato, que é a absolutamente enraizada na sociedade e, de tão enraizada, as pessoas não a percebem
.
Viva Zumbi dos Palmares! Viva a Dandara!
Viva a todas crianças e jovens negros brasileiros que poderam a partir do dia 27 de abril, serem libertados das correntes da escravidão que mesmo enferrujadas ainda as aprisionavam em relação as oportunidades de adquirirem conhecimento. As chaves destas, foram tiradas das mãos dos setores racistas das elites brasileira
.
Eu tenho orgulho de fazer parte do Movimento Negro Social do Brasil, eu tenho orgulho de ser professora, eu tenho orgulho da minha Família Preta, eu tenho orgulho de ser moradora do bairro periférico da Liberdade, eu tenho orgulho de ajudar a construir um mundo mais justo e igual para meus alunos, sobrinhos e futuramente os meus filhos.
Eu amo tanto fazer parte da vida de cada um dos meus alunos!
#CotasSim!

A mídia, as cotas e o sempre bom e necessário exercício da dúvida

Tenho escrito alguns artigos sobre racismo e, em todos, invariavelmente, apareceu quem tentava fugir do assunto para falar sobre cotas. São assuntos relacionados, eu sei, mas também complexos por si só. Cotas não seriam necessárias se não houvesse racismo. Mas estão aí, os dois, e talvez agora, depois da histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, nos dias 25/04/2012 e 26/04/2012, reafirmando a constitucionalidade das cotas, possamos começar a conversar de verdade sobre eles. Porque talvez a velha mídia pare de fazer a campanha suja que vem fazendo e nos deixe, finalmente, tratar desses assuntos e das vidas das pessoas por eles modificadas (brancos, negros, cotistas, não-cotistas etc…) com a honestidade e o respeito que todos merecem. É agora que começa o trabalho, e é bom que a gente tente separar, principalmente, o que é fato do que foi campanha, o que é verdade histórica do que foi mero exercício de futurologia. Será um longo caminho que vamos ter que aprender a trilhar juntos, independente de sermos contra ou a favor. Somos sujeitos históricos: o que fizemos ontem, como povo e como indivíduos, reflete na realidade que temos hoje, assim como o que fazemos hoje vai determinar com o que teremos que conviver amanhã. A História não nos deixa viver impunes.
Quando mudei de opinião sobre as cotas, em 2006, aprendi a duvidar. Durante um bom tempo ainda me vi balançada entre argumentos, mas todos eles perderam a força quando vi esse video, de 2007. Nele, Seu Jorge conta que sua filhinha mestiça, de 6 anos, era segregada pelas coleguinhas na escola de balé. Isso não tem nada a ver com preconceito de classe, é racismo puro. Racismo entre crianças de 6 anos. As coleguinhas a segregaram porque ela era diferente, e a única diferença visível estava na cor. “Essa menina/ tão pequenina/ quer ser bailarina”, diz o poema de Cecília Meireles, “Mas depois esquece todas as danças/ e também quer dormir como as outras crianças”. Alguém tem alguma ilusão de que a filha de Seu Jorge, depois de uma brutalidade dessa, conseguirá dormir como as outras crianças de sua escola de balé? Se a gente continuar querendo acreditar que não é problema nosso, que todos nós que vivemos nos tempos de hoje não temos nada a ver com os resquícios perenes e dolorosos da escravidão, isso vai continuar acontecendo. Crianças de seis anos continuarão sendo vítimas de racismo. Brancas, mestiças ou negras. Porque o racismo que marca sem dó a criança estigmatizada, tem na outra ponta aquela que vai crescer presa a esse sentimento nefasto, mesmo que no futuro aprenda que ele é reprimível e condenável. Esse livro de Eliane Cavalleiro nos mostra que racismo introjetado na infância não desaparece sozinho. Para combatê-lo, e todos nós estamos sujeitos a ele, é necessário um exercício contínuo e nem sempre agradável de observação e conhecimento de nossas palavras e reações e, sobretudo, do ambiente à nossa volta. Alguém tem alguma dúvida de que, se os pais dessas crianças que se recusaram a dar a mão para a filhinha de Seu Jorge tivessem amigos, vizinhos e colegas de trabalho negros, com quem convivessem em situação de igualdade, essa situação poderia ser diferente? Provavelmente ninguém as instruiu a não dar a mão. Elas observaram e concluíram: aqui há uma diferença, e ela envolve cor. Para ajudar a combater o racismo e o preconceito de cor, as ações devem ser pontuais e específicas, como as cotas raciais. Que não são, de maneira alguma, incompatíveis com as cotas sociais, específicas para ajudar a combater a desigualdade econômica. Preconceito de classe e preconceito de cor, embora muitas vezes se sobreponham, não são a mesma coisa, e exigem soluções diferentes. São assuntos sérios que exigem, sobretudo, que sejam deixados à margem de disputas políticas e de poder. Há racismo e luta anti-racismo na direita e na esquerda. Não é bandeira de ninguém, embora ainda sejam tão poucos os dispostos a carregá-la. Há racismo e luta antirracista na direita e na esquerda (recomendo a leitura do livro O Marxismo e a questão racial – Karl Marx e Friedrich Engels frente ao racismo e à escravidão). Não é bandeira de ninguém e é de todo mundo, e tenho esperança de que um dia seremos muitos a carregá-la.
Eu sou otimista; e ficarei ainda mais quando mais pessoas começarem a duvidar do que ouviram ou leram até aqui (inclusive nesse artigo), procurar informações confiáveis e comprováveis, se dispor a ouvir quem está há mais tempo na luta e tirar suas próprias conclusões. Esse vai ser um longo artigo porque, desde que comecei a fazer tudo que listei aí acima, e esse também é um processo contínuo, tenho me horrorizado com o tipo de “informação” e de ações sobre as quais boa parte da mídia brasileira tenta levar seus leitores a tomar posição. Não vou mentir dizendo que não quero fazer as pessoas mudarem de opinião, porque no fundo, é o que queria que acontecesse. Mas acima de tudo queria que tomassem os exemplos abaixo como ponto de partida para esse tão bom e necessário exercício da dúvida. Seria bom que cada pessoa que é contra as cotas raciais, disposta ou não a mudar de ideia, não aceitasse como verdade absoluta a opinião de nossos “formadores de opinião”, checasse o que eles dizem e escrevem, e observasse se o que resta de concreto nisso tudo ainda oferece base suficiente para sustentar uma posição entravadora do diálogo e das lutas anti-raciais no país. Não é nos dividindo entre bons e maus, petralhas e esquerdistas, cegos e aqueles que veem a luz, racistas e não-racistas etc… que vamos resolver o problema do racismo. É nos unindo na análise de situações concretas, na resolução de problemas concretos e, sobretudo, na tentativa de reestabelecimento e recuperação de um mínimo possível de verdade histórica.
Esse não será um artigo desapaixonado, pois me é caro. É a minha contribuição, que junto à de vários ativistas e simpatizantes dos movimentos negros, passados, presentes e futuros, para começarmos a estabelecer as bases sobre as quais as conversas sobre racismo e correlatos devem se firmar. E escrevo porque acredito que essa base está muito mais próxima do que, na média, a sociedade brasileira realmente almeja, do que o baixíssimo nível no qual parte da grande mídia quer fixá-la. Ali Kamel, Yvonne Maggie, Demétrio Magnoli, e Demóstenes Torres, para citar os que ocupam mais espaço, mais os editorialistas de O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, ao nos falar do ódio que as cotas vão despertar no povo brasileiro, sabem do que falam. Se eu também me informasse apenas através de seus textos, estaria odiando negros, esquerdistas, lulo-petistas, ongs patrocinadas por fundações norte-americanas, jornalistas delinquentes e todo tipo de gente irresponsável que macaqueia a América do Norte num momento em que os americanos percebem a grande burrada que fizeram, e não se tocam que vão deflagar uma sangrenta guerra civil que vai primeiro segregar e depois dizimar boa parte da população, como aconteceu com a Índia, Ruanda e África do Sul, já tendo começado pelo genocídio de todos os mestiços, não poupando também os índios que forjaram suas identidades nos últimos anos, e está preparando um enorme exército de filhos de Pelé e Joaquim Barbosa para tomar todas as vagas dos 19 milhões de brancos pobres. Esse bando de inconsequentes, unidos em torno do Ministério da Segregação Racial, defende cotas para negros que vão se humilhar na condição de cotistas porque não estudam o suficiente para passar no mais meritocrático de todos os sistemas de avaliação, o vestibular, que foi substituído por um tribunal racial que promove o apartheid que separa os brancos dos negros que, uma vez na universidade, vão fazer a qualidade do ensino despencar, e apelam para mentiras que conseguem convencer ministros que não conhecem nada da nossa história e se deixam enganar por ideologias infundadas que pregam que, no Brasil, – que nunca discriminou negros, que nunca teve leis segregacionistas, que sempre tratou seus escravos com a maior dignidade e doçura, que foi usado pela África, que resolveu exportar pra cá seu sistema de escravidão, onde todas as índias e escravas tiveram relações consensuais e amorosas com seus senhores, provando que somos um exemplo de democracia racial e ser seguido, que nunca teve cotas para brancos e que é só um pouquinho racista, de vez em quando, numa instituição ou outra – o racismo prejudica os negros. Esse é o cenário quase completo no qual a mídia quer nos fazer acreditar – e temer, claro, porque sabe do poder intimidador do medo – no intuito de defender os interesses do “povo”.
Só a hipocrisia pode justificar essa cruzada, impendido-os de dizer que, na verdade, defendem ideologias e interesses próprios pois, segundo pesquisa do Data Senado divulgada em julho/2011, assim pensa o “povo” brasileiro: 66% manifestaram-se a favor das cotas para negros; 73% favoráveis às cotas para indígenas; 78% apoiaram cotas para estudantes que cursaram a rede pública; 83% defenderam cotas para estudantes de baixa renda e 85% aprovaram cotas reservadas para pessoas com deficiência. É interessante analisar que, quanto mais “povo”, maior a aprovação às cotas; e que, em relação à cota para negros, por exemplo, a rejeição mais significativa vem de homens com 20 a 29 anos, curso superior e renda acima de 10 salários mínimos. É esse o perfil de quem mais rejeita cotas. É rico, pelo padrões nacionais; deve ser branco, pelo nível educacional; e são os interesses dele, longe de serem representativos dos interesses do povo brasileiro, que os nossos jornalistas e editorialistas defendem, querendo nos fazer acreditar que falam pelo povo e com o povo. Não falam. E foi isso também que, no histórico dia 25/04/2012, o Supremo Tribunal Federal teve a sensibilidade de perceber.
Eu tenho um sonho – Há anos venho prestando atenção nos absurdos que os formadores de opinião são capazes de dizer contra as cotas. Apenas para que vocês tenham uma ideia, vou pegar o texto publicado por Yvonne Maggie em sua coluna semanal no portal de notícias da Globo, G1, no dia 23/04/2012, “A constitucionalidade das cotas raciais no Brasil”. Um dia antes da votação no STF, Yvonne Maggie escreveu:
“Em Thirteen ways of looking at a black man, de Henry Louis Gates Junior, professor de Harvard, há uma história reveladora do que se passou depois da lei dos direitos. Neste livro, Harry Belafonte conta que alguns anos depois de 1964 fora convidado para fazer um filme. O produtor, muito animado, lhe dissera: “Harry, será maravilhoso, vamos fazer um filme dirigido e estrelado por negros, produzido por negros, com música feita por negros e vai ser belíssimo”. Ao que o ator, nervoso, respondeu: “Não quero fazer parte disso, passei tantos anos lutando para sair do gueto, não serei eu a me enfiar de novo nele”. Gates conta que durante a entrevista, após esta declaração de Harry, seguiu-se um silêncio constrangedor, só quebrado com uma sonora gargalhada do entrevistado e a seguinte frase: “Eu não aceitei a armadilha, mas é claro que Sidney Poitier aceitou e ficou rico estrelando todos aqueles filmes”.
Por acaso temos o livro em casa e eu resolvi conferir. Já escaldada nesse tipo de manipulação, poucas vezes estive errada em duvidar, principalmente quando algum negro (no caso, dois) é pego para servir de boneco de marionete. Pois bem, a estória contada por Yvonne Maggie não existe. Há dois fragmentos que ela parece ter juntado, enfeitado com silêncio constrangedor, gargalhada sonora, uma data hipotética, umas frases de efeito inventadas e legitimadas por aspas, além de distorcidas para ilustrar o próprio ponto de vista. Essa estratégia de eleger um “negro boneco de marionete”, selecionar parte ou sentido de seu discurso ou ato, e reinterpretá-lo de modo a que ele sirva de exemplo a ser seguido pelos “menos esclarecidos”, como se ele já tivesse passado por isso e soubesse mais e melhor, é bastante comum, como já apontei aqui. Antes de mostrar o que realmente escreveu o professor Henry Louis Gates Jr. que, junto com Harry Belafonte, é figura importante na luta dos direitos dos negros norte-americanos, acho importante contextualizar algumas coisas.
Em 1953, Belafonte se mudou para a vizinhança branca de Elmhurts, no Queens. Magurite, que era sua esposa na época, nos conta: “Logo que nos mudamos, de repente vimos uma quantidade de placas de “Vende-se” aparecendo”. Um dia depois, Adrienne, quatro anos, negra, filha de Magurite com Belafonte, dizia para a mãe: “Mãe, temos que nos mudar! Há negros se mudando para a vizinhança!”. (págs. 161 e 162). Na época Belafonte já era bastante conhecido como ator e cantor, e muita gente analisa que isso se dava, não só mas também, porque ele não era preto-preto. Apesar da pele mais clara, a ele também não era permitido usar as dependências dos hotéis nos quais se apresentava, tendo sempre que dormir em pensões para negros nos arredores das cidades. Em 1957, Belafonte atuou em Island in the sunformando par romântico com uma atriz branca, Joan Fontaine. O filme, e principalmente o beijo entre os dois, casou escândalo nos EUA, fazendo com que fosse introduzida legislação no estado da Carolina do Sul, multando as salas de cinema que exibissem o filme. Nessa mesma época foi escândalo também, entre as comunidades negras e brancas, o fato de Belafonte, então, ter se separado de sua primeira esposa Margurite, negra, e ter se casado com uma mulher branca, Julie Robinson. É aqui que acontece a primeira história que inspirou a adaptação de Yvonne Maggie, contada nas páginas 169 e 170:
“Belafonte se lembra que mais ou menos naquela época Otto Preminger queria escalá-lo para uma versão filmada de Porgy and Bess. Ele achou o script racialmente ofensivo – um romance entre um drogado e uma puta, não era? “Um monte de gente da comunidade negra disse não. Quem quebrou a corrente foi Sidney, que aceitou fazê-lo.” Na sequência, o filme não fez muito sucesso quando saiu, em 1960, e foi severamente criticado pela imprensa negra. Mas um padrão estava estabelecido. O desencantamento de Belafonte com Hollywood cresceu. Na década seguinte, seu amigo Poitier fez dezessete grandes filmes; Belafonte não fez nem um.
Pra começar, os roteiros que lhe era oferecidos o horrorizavam. Ele menciona uma série de filmes que recusou. “Um deles era o filme chamado To Sir with Love.”
“Você o recusou?” Eu estou chocado.
“Ah, merda, sim. E também Lilies of the Field“.
Esse, claro, foi o filme de 1963 que firmou Poitier coma uma presença significante no cinema pós-guerra: nobre, abnegado, bondoso. Quando o vi, aos treze anos, caí no choro. Era o perfeito veículo dos movimentos dos direitos civis no momento. Sua mensagem para a América branca era praticamente telegrafada: Nós somos um povo amigável e generoso, nós somos bons cidadãos.
Belafonte tinha outra opinião sobre isso. “Quando li Lilies of the Field, fiquei furioso. Você tem essas freiras fugindo do comunismo, e do nada há esse negro que se coloca por inteiro ao serviço delas, sem dizer nada, e sem fazer nada exceto ser comandado por essas feiras nazistas? Ele não beijou ninguém, ele não tocou ninguém, ele não tinha cultura, ele não tinha história, ele não tinha família, ele não tinha nada. Eu disse, “Não, eu não quero encenar filmes assim”. O que aconteceu foi que Sidney Poitier aceitou – e ganhou o Oscar”.
Sobre Poitier, que sempre foi e continua sendo seu amigo, Belafonte diz: “Sidney foi sempre mais maleável, mais acomodado. Ele escolheu cada um daqueles filmes para continuar exercitando sua beleza e se assegurar de que, nunca, mas nunca mesmo, perturbaria a psiquê branca com algo que fizesse. Nem em público, nem em particular”.
A segunda história apropriada por Yvonne Maggie está nas páginas 171 e 172:
“Em 1960, por exemplo, ele recebeu um Emmy por um especial que ele fez na televisão para a Revlon Hour, chamado “Tonight with Belafonte” [1959]. Como o show foi um sucesso de audiência, Revlon decidiu que poderia ser um bom caminho. De acordo com Belafonte, um acordo foi assinado no qual ele receberia um milhão de dólares para produzir e apresentar mais cinco shows. O segundo show, estrelado por astros brancos e negros do jazz, pop e folk, fez um sucesso estrondoso. Então, ele foi trazido de volta à realidade.
“Fui convidado para uma reunião com Charlie Revson”, ele me contou. ”Eu deveria ir sozinho? Eu mal posso esperar – estou pensando que ele quer me dar metade de sua empresa, ou algo assim. Então, estamos almoçando em sua sala de jantar particular, e ele está dizendo, “Como um judeu em Jersey City, eu entendo de opressão” - da, da, da, da - “mas temos que conversar sobre o show. Ótimas avaliações. Ótimas críticas. Muito bem. Mas estamos recebendo alguns retornos que dizem que você deveria fazê-lo só com negros. Se você pudesse só descartar as pessoas brancas…” Eu não podia acreditar. E eu disse, “Sr. Revson, deixe-me te falar uma coisa. Se você me pedisse para colocar uma saia florida e cantar mais calipso, e dançar mais, porque é isso que as pessoas brancas gostariam, eu poderia pensar. Mas o que você me pediu para fazer – não há como eu concordar. Eu não posso me ressegregar.” Ele me disse, “O. K.”. Às quatro horas daquela mesma tarde, eu recebi um cheque de oitocentos mil dólares. Charlie Revson disse, “Adeus. Você está fora do ar.”
Se Yvonne Maggie leu o livro e se lembrava vagamente da história, o mínimo que se esperava de alguém que quer se levado à sério, é voltar ao livro e ver realmente como aconteceu. Se o fez e, mesmo assim, inventou isso tudo, é mais grave ainda. Yvonne Maggie é professora titular do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, de acordo com o Perfil de seu blog. Não deveria se sujeitar a esse tipo de situação. Ela também datou a fábula inventada de “alguns anos depois de 1964″, (prestem atenção que as duas histórias acima acontecem por volta de 1960, ou antes) para nos “ensinar” que os negros norte-americanos inteligentes, depois dos Direitos Civis, não estão mais nem aí para essas lutas de negros. Não é verdade, e principalmente não é verdade em relação a Harry Belafonte (um dos mais destacados na campanha dos Direitos Civis, amigo pessoal de Luther King, Mandela, idealizador do “We are the World” e ainda na ativa, aos 84 anos de idade) e Henry Louis Gates Jr., ativista pelas ações afirmativas nas universidades estadunidenses. Se Yvonne Maggie tivesse se dado ao trabalho de descer do alto de sua cátedra, poderia ter facilmente se informado da opinião do professor Gates, antes de usá-lo. Nesse vídeo, por exemplo, onde ele diz que a única razão de ter tanta gente (refere-se aos negros, em uma igreja negra) conseguindo se virar bem, é por causa do movimento dos Direitos Civis “E” das ações afirmativas. E continua: “Sem ações afirmativas nós nunca teríamos sido capazes de integrar as historicamente racistas e brancas instituições da sociedade americana… A primeira pergunta fundamental à qual temos que nos dedicar é como proteger, preservar e expandir as ações afirmativas. (…) Eu consegui ir para Yale University porque eles estavam tentando se diversificar. Eles estavam querendo que as classes se parecessem mais com a América. (fala de como era na faculdade e de sua vida profissional depois de se formar) Cada uma dessas coisas dessas coisas foi propiciada, foi tornada possível, pela existência de ações afirmativas. Isso não significa que eu não era qualificado, isso quis dizer que, por causa do racismo, a mim nunca teria sido permitido competir num terreno mais ou menos nivelado com garotos e garotas brancos. E para mim, para alguém que se beneficiou tanto das oportunidades das ações afirmativas, plantar-me no portão e tentar manter outros negros do lado de fora seria ser tão hipócrita quanto Clarence Thomas”. Talvez Harvard, que Yvonne Maggie faz questão de citar para conferir mais autoridade ao boneco de marionete que inventou, não teria Henry Louis Gates se ele não tivesse sido beneficiado por algo que ela o coloca para combater, fazendo-o passar pelo hipócrita que ele não é e não quer ser. É ofensivo o que Yvonne Maggie fez ao trabalho e à vida dos dois, principalmente tendo o professor Gates, relativamente rico e conhecido, também presidente do Instituto W.E.B. Du Bois, passado recentemente por essa traumática e vexatória situação de racismo. É intelectualmente desonesto e deveria ser vergonhoso.
Esse não é o único problema com o texto de Yvonne Maggie. Tente encontrar os outros na rasa análise que ela faz sobre as resoluções da Suprema Corte Norte-Americana (para facilitar, deixo esse vídeo), com o contexto em que ela fala de Rosa Parks, com a data sobre as leis segregacionistas nos Estados Unidos, com a afirmação de que o Brasil não teve leis segregacionistas, com a frase “Neste julgamento que se avizinha apenas duas vozes estarão defendendo a posição de Rosa Parks. Rosa Parks é patrona de um prêmio da Associação Americana para a Ação Afirmativa, fundada em 1974 e que, “se opõe veementemente às ações estaduais e federais que poderiam eliminar programas de ações afirmativas que proporcionam acesso igualitário e justiça para as minorias e mulheres em emprego, educação e oportunidade econômica.” Yvonne Maggie decidiu que Rosa Parks, ícone e precursora das ações afirmativas norte-americanas, era contra as cotas, e que só duas vozes estariam lá para defendê-la. Parece-me que foi apenas falta de interesse em se inscrever, como mostra o processo. Interessante também é o fato de ela usar como mote a foto de Barack Obama, deixando de informar que tanto ele quanto Michelle Obama foram beneficiários de ações afirmativas nas universidades. No texto seguinte, Separados legalmente (Publicado no jornal O Globo de 1º de maio de 2012, caderno Opinião, p.7), também dá para brincar de “jogo dos sete erros”. Tente você também. Sugiro começar lá no final, quando ela diz que o Brasil rasgou a Carta da ONU, depois de ler esse comunicado oficial da ONU, emitido seis dias antes de Yvonne publicar seu artigo. Ela também estava presente no julgamento do STF, e seria interessante comparar o que ela viu e ouviu, com os que aconteceu nos dias 25/04 e 26/04/2012. Com os textos do geógrafo e sociólogo Demétrio Magnoli também dá para fazer o mesmo exercício (principalmente nos que ele fala de Martin Luther King e Frederick Douglas), como já nos mostrou o doutor em Antropologia Kabenguele Munanga, mas hoje quero tratar de outra coisa sobre ele.
A solidão do negro – Infelizmente tenho que concordar que associar seu nome ao do senador Demóstenes Torres é golpe baixo. Então, por favor, considere apenas a relação com esse assunto, que eu faria mesmo se o senador não tivesse caído em desgraça pública. Mas foi com Demóstenes Torres que essa história começou, quando o partido dele resolveu entrar com a ação questionando a constitucionalidade das cotas. Demétrio Magnoli parece admirá-lo por isso, e declarou à revista Istoé, que elegeu Demóstenes como uma das personalidades brasileiras mais influentes: “Demóstenes não é mais um comerciante num mercado em que se trafica influência em troca de cargos e privilégios. Ele tem princípios e convicções. Foi o primeiro parlamentar graduado a erguer a voz contra as cotas nas universidades”. Para Demétrio Magnoli, erguer a voz contra as contas é prova de princípios.
Em março de 2010 foram realizadas audiências públicas no STF (Supremo Tribunal Federal), onde foram ouvidos vários depoimentos contra e a favor das cotas, com a finalidade subsidiar os ministros na decisão que foi tomada apenas agora, em 26/04. Os vídeos estão todos aqui, mas o que me interessa é a fala do senador Demóstenes, nesse video à partir de 32’55″. No dia seguinte, a fala de Demóstenes teve grande repercussão na imprensa, como esse artigo, e Demétrio Magnoli logo saiu em sua defesa, provando. Assim como Demóstenes, Demétrio entende muito pouco de escravidão africana, o que dá para perceber pela bibliografia de seu livro, Uma gota de Sangue, que a Veja chegou a chamar de“um esforço de pesquisa histórica monumental”. Faltou esforço, claro, porque a pesquisa de Demétrio passou longe das particularidades dos diversos modelos de “escravidão” africana, que nada tinham a ver com o nosso modelo de escravidão colonial. A leitura de um livro como Slavery in Africa – Historical and anthropological perspectives poderia ter evitado essa falha bastante grave. Demétrio também se acha habilitado para falar de movimento sanitarista ignorando a eugenia nada inocente do médico Renato Khel, patrono da cadeira número um da Academia Brasileira de Filosofia. Demétrio Magnoli tem a cara de pau de dizer que “O Brasil não tem tradição de estabelecer distinções entre os imigrantes“, mostrando que passou longe de livros fundamentais como “Negotiating National Identity – Immigrants, Minorities, and the Struggle for ethnicity in Brazil”, ou “Another Arabesque – Syrian-Lebanese Ethnicity in neoliberal Brazil“, entre vários outros que tratam do assunto.
É bastante falha a formação de Demétrio Magnoli sobre um assunto em que ele se considera especialista, recebendo grande espaço em jornais, rádio e TVs. Mas, mais falha ainda, parece ser sua memória. Parei de levá-lo depois de uma entrevista no programa Roda Viva. Destaco aqui o Bloco 4, à partir de 1’55″, quando o jornalista Delmo Moreira diz: “Eu li um artigo do Demétrio em que ele dizia que a escravidão no Brasil tinha sido, entre aspas, você colocava, um sistema democrático, porque mulatos também tinham sido donos de negros, como se a questão fosse essa. A questão é que não havia brancos escravos, e não que negro também não pudesse escravizar”. Aos 4’9″ Demétrio o interpela: “O Delmo leu mas não viu o contexto. Eu não falei que a escravidão no Brasil era democrática. Que frase horrível para se atribuir pra alguém, né?”, e continua “explicando” o que tinha dito/não dito, elevando a grosseria e a arrogância a esportes olímpicos. Procurei a entrevista e não encontrei; mas caí nesse vídeo, e acredito que Delmo pode ter se confundido de mídia. Mesmo que não, está lá, em 1’50″, a frase de Demétrio, com toda sua horrorosidade e sem contexto algum: “A escravidão não foi um fato racial. Foi um fato econômico, do capitalismo mercantil, e foi bastante democrática, no seguinte sentido, num sentido bem específico: se você tiver dinheiro, você pode comprar um escravo, mesmo se você foi escravo. Ex-escravos compraram escravos”.
Mas é sobre o Bloco 3 que podemos fazer as observações mais interessantes e significativas, principalmente à partir de 10’10″, quando Paulo Lins introduz as questões raciais. Por volta de 17’56″, Demétrio o ignora ostensivamente e lhe vira a cara, para escutar Marília Gabriela, aproveitando para lhe chamar a atenção aos 18’14″. Marília Gabriela então diz:“Eu não sei mais como me portar em relação a essa causa porque chamar alguém de negro… Ah, Fulano é negro… Já fui corrigida uma vez: “Olha, não diga desse jeito que nós não gostamos”. Então… chamar de preto não é… eu não sei… quer dizer… tudo… esse assunto… eu só tô fazendo… tô sendo superficial, tô sendo quase irresponsável de falar dessa maneira, mas é só pra dizer que a… o assunto é tão delicado, é tão delicado, e é tão problemático, é tão ainda…. que o politicamente correto ainda num, num, num… concluiu isso tudo”. O importante aqui é o visível desconforto de Marília Gabriela ao tratar do assunto, bastante comum na maioria das pessoas brancos, principalmente quando na presença de um negro. Outra coisa que não podemos deixar de notar é que, apesar de já ter ouvido de algum negro a maneira como ele/ela gostaria de ser tratado, ela diz que continua sem saber como se portar. No vídeo, percebemos que a tensão continua crescendo entre Paulo Lins e Demétrio Magnoli, que o provoca através de olhares e risos irônicos. Demétrio apresenta suas ideias como se fossem dos movimentos negros e, por volta de 21’10″ Paulo Lins tenta interferir, sendo inicialmente ignorado. Aos 21’24″ Demétrio vira para ele e diz, no jogo no qual é mestre, que é imputar suas ideias a alguém: “Isso não é uma concepção minha, isso é uma concepção dos [inteligível - sucessores? assessores?] disso. Paulo Lins parece nem saber por onde começar, depois de ouvir tanta teoria infundada apresentada como projeto vindo “do lado de lá”. Rio aqui do fato de não ter conseguido entender a quem Demétrio atribui sua teoria da conspiração, porque isso não poderia ser mais significativo de seu modo de agir. Notem que ele sempre atribui suas ideias a um inominado “vocês”, a uma entidade despersonificada, a um coletivo inexistente, a um “os adeptos de tal ou tal coisa”, afastando qualquer possibilidade de constatação ou diálogo. Nesse momento, Marília Gabriela os interrompe e diz que tem que acabar o programa, mas, antes, puxa assunto com Demétrio. Paulo Lins também a aproveita a oportunidade e os dois trocam algumas palavras, sem que Demétrio se digne a olhá-lo. Marília então sai em favor de Paulo Lins, dizendo que temos que considerar a opinião dele, contrária à de Demétrio, de que é necessária uma política de cotas deve ser considerada. A resposta de Demétrio é “Tem que considerar errado isso”, e tenta explicar seus motivos. Os dois continuam numa tentativa de se fazerem ouvidos, até que Paulo Lins consegue a atenção de Marília Gabriela ao comentar o racismo presente a olhos vistos na sociedade brasileira e dizer que, ali mesmo, naquela mesa, poderia se ver isso. Marília se assusta e pergunta “De que forma?”. Todos se calam quando Paulo Lins responde com outra pergunta: “Só eu de negro estou aqui. Por quê?” O silêncio é constrangedor, principalmente porque logo em seguida percebemos que, além de não terem entendido a pergunta, eles não têm a menor ideia do que Paulo Lins está falando. Ele insiste: “Me responde isso”. Demétrio começa a responder, Marília se ofende (“Não, você desculpe, Paulo, me desculpe…”) e cria-se uma enorme confusão até que Paulo Lins percebe que terá que desenhar. Não passou nem pela cabeça daquelas pessoas que ele estava comentando que só ele de negro estava ali, naquela bancada, enquanto que outros negros e pardos, que não tinham conseguido passar pelo filtro do racismo, não ocupavam posições de destaque no Brasil. O mais interessante ainda é que ele desenha, mostra o racismo estrutural que Demétrio tentou negar o tempo todo, e mesmo assim ninguém entende, ninguém ouve. A pergunta de Paulo Lins era: “SÓ eu de negro estou aqui; por quê?”
“SÓ” é a chave da pergunta, e todos a ignoraram. Demétrio tenta lhe “dar uma lição de moral” contando uma historinha para ensiná-lo a deixar de ser negro e ser “brasileiro”, assim como Marília Gabriela, que encerra nervosa: “Então ficou claro para você (como se fosse Paulo Lins quem não estivesse entendendo) que, pela sua experiência de vida, HOJE, você era necessário aqui? E, com licença, o que não elimina que eu convide outras pessoas… é.. ahm… o que eu vou ter que qualificar, ou classificar de alguma maneira e vou incorrer no… no.. no politicamente incorreto… Uma loucura!” Com uma paciência infinita, Paulo Lins ainda tenta mais uma vez. Marília não deixa: “Peraí, um minutinho, deixa eu acabar.” E acaba. Quando volta o quarto bloco, Demétrio Magnoli comenta as intervenções de todos os outros entrevistados. Ignora a de Paulo Lins. Assim como o Brasil tem ignorado o que dizem e pensam seus intelectuais negros. Destaquei o HOJE ali em cima, na frase da Marília, porque seria interessante saber: quantos negros já foram lembrados pela produção do Roda Viva quando os assuntos eram outros, que não assuntos de negros? Paulo Lins estava ali, naquele dia – HOJE – porque tocariam em assuntos de negros e ficaria chato não ter algum negro compondo a mesa? Se não foram muitos os entrevistados ou entrevistadores negros que já passaram pelo programa, será que um pouquinho de inclusão e diversidade não traria perguntas e interesses diferentes ao programa, baseados em experiência de vida? Por exemplo: vocês acham que algum daqueles entrevistadores brancos faria a pergunta: “Por que SÓ temos o Paulo Lins de negro aqui?” Ou, ele não estando lá, e sendo todos brancos para tratar daquele ou de outro assunto qualquer, alguém perguntaria ou já se perguntou: “Por que só nós, os brancos, estamos aqui?” Essa é uma pergunta que, aliás, acho que nunca deve ter nem passado pela cabeça de muitos que são contra as cotas, em ambientes mais elitizados como restaurantes, cinemas, teatros, shoppings e universidades. Questão de costume. Naturalização provocada pelo racismo estrutural. Questão de falta de experiência de vida: pouquíssima chance de conviver com um negro que esse não estivesse em condições subalternas.
A tal da liberdade de expressar opinião — A questão de não entender ou não levar em consideração o que fala um negro (ou fazê-lo de boneco de marionete,quando lhes convêm) é emblemática no posicionamento dos que estão na mídia contra as cotas. Ali Kamel, por exemplo, no seu livro “Não somos racistas”, dá voz à importante intelectual e ativista negra, doutora em filosofia da educação, Sueli Carneiro, para que ela o ajude a atacar Fernando Henrique Cardoso quando este se diz mulato. Tenho vontade, mas não tenho coragem, de voltar ao livro para saber se isso acontece mais vezes. Para saber se há, e quantos há, intelectuais negros com voz e posicionamento próprios, mas não consigo passar do primeiro parágrafo: ”Foi um movimento lento. Surgiu na academia, entre alguns sociólogos na década de 1950 e, aos poucos, foi ganhando corpo até se tornar política oficial de governo. Mergulhado no trabalho jornalístico diário, quando me dei conta do fenômeno levei um susto. Mais uma vez tive a prova de que os grandes estragos começam assim: no início, não se dá atenção, acreditando-se que as convicções em contrário são tão grandes e arraigadas que o mal não progredirá. Quando acordamos, leva-se o susto. Eu levei. E, imagino, muitos brasileiros devem ter se assutado: quer dizer então que somos um povo racista?” (pág. 17)
Ali Kamel nos desinforma que o movimento de combate ao racismo e suas consequências (ou será que se refere ao movimento negro? ou ao movimento do mal?), no Brasil,“surgiu na academia, entre alguns sociólogos na década de 1950″. Se algum dia ele conseguir deixar o lugar privilegiado de onde exerce e tenta universalizar suas convicções tão grandes e arraigadas, e puder entender o quanto essa frase é moldada pelo racismo que tanto o assustou, também entenderia que o “movimento”, na verdade, foi imensamente mais lento do que imagina. Os sociólogos que cita, na década de 1950, apenas conseguiram captar os ecos da longuíssima luta que já vinha sendo travada pelos negros – e alguns brancos – brasileiros desde muito antes da escravidão. Se Kamel tivesse pesquisado o que seus colegas jornalistas negros já diziam no início do século XIX, pouparia-se da vergonha de apresentar agora, quase dois séculos depois, como a sacada do século, que a população negra e pobre deve é reivindicar educação de qualidade, pois assim todo o resto se resolve sozinho. Se estivesse se interessado em procurar a origem do “movimento”, Kamel poderia encontrá-lo, talvez até antes mas, com certeza, nos jornais O Homem de Cor, O Brasileiro Pardo, O Cabrito, O Lafuente, Crioulinho, todos surgidos na primeira metade do século XIX. Interessante sobre esses jornais é que alguns deles tiveram suas autorias questionadas e atribuídas a homens brancos, “num esforço de ignorar a participação dos “homens de cor” no cotidiano político da cidade”, como nos conta Ana Flávia Magalhães Pinto no livro “Imprensa negra no Brasil do século XIX”. Segundo a apresentação, “experiências cotidianas e variadas de enfrentamento do racismo, a criação de redes de sociabilidade e o uso de instrumentos legais para promover a cidadania foram registradas nas páginas de jornais assinados por “homens de cor” e dirigidos a eles”. Kamel se assustaria, com certeza, ao ler o que, em 1833, o jornal O Homem de Cor lutava contra uma ação do governo que queria instituir a obrigatoriedade da declaração de cor nas listas dos cidadãos (pág. 44), e clamava para que a Constituição fosse “uma realidade para todos os brasileiros, sem distinção de classes”. Irônico e interessante que, naquela época, “classe” era sinônimo de “raça”, e os homens negros diziam pertencer à classe dos homens de cor. Se conhecesse esses jornais, Kamel se assustaria também com a riqueza do cotidiano e das ideias, às vezes bastante contraditórias, de homens negros e pardos livres em uma sociedade escravagista. Isso é história, isso é movimento, muito anterior a 1950. Se o reconhecesse, Kamel saberia que esses homens já lutavam por educação e acreditavam que nela estava o caminho para a socialização. Esses homens que Kamel e tantos outros ignoram discutiram escravidão, liberdade, nação, identidade, mestiçagem, família, educação, ética, cultura, política, trabalho, mundo, guerra etc, e sempre com a boa vontade de esperar as coisas se ajeitarem, sempre acreditando em promessas que, de um meio ou de outro, haveria de lhes tornar cidadãos.
Tudo isso que está sendo defendido hoje pelos que são contra as cotas, esses homens da classe de cor dos séculos XIX e XX também já defenderam, em vários momentos, coagidos ou de livre vontade. Quando livres, porque os escravos eram proibidos de frequentar a escola pública, brigaram por educação de qualidade e, quando tinham a oportunidade de estudar, agarravam-se a ela como a única esperança de um futuro mais digno. Esperança que morreu frente ao descaso, a promessas nunca cumpridas, à constatação de que seus sonhos de serem cidadãos plenos e de direito, iguais a todos os outros como sempre pregou a constituição, nunca esteve nos planos de quem os governava. Uma boa ideia dessa longa luta dos negros por uma educação pública de qualidade está no livro “A educação dos negros: uma nova face do processo de abolição da escravidão no Brasil”. Na página 48 há um argumento que, para mim, tem a mesma raiz dos argumentos dos que dizem que, antes de brigar por universidade o negro deveria brigar por educação básica, ou a de que os estudantes cotistas não dariam conta de acompanhar os cursos ou não se tornariam bons profissionais. A frase é do deputado e escritor José de Alencar, em 1870, pregando contra a lei do ventre livre: “E como libertar o cativo sem antes educá-lo? Não senhores: é preciso esclarecer a inteligência embotada, elevar a consciência humilhada para que um dia, no momento de conceder-lhes a liberdade, possamos dizer: – vós sois homens, sois cidadãos. Nós vos remimos não só do cativeiro, como da ignorância, do vício, da miséria, da animalidade, em que jazeis!”
Quem quiser avançar mais um pouco mais e entender como se deu a expansão do sistema público de ensino no Brasil durante os anos 1917 e 1945, deve ler “Diploma de brancura – Política social e racial no Brasil, 1917-1945 . Nele entendemos que, não apenas os alunos, mas também professores negros, foram discriminados na implantação de um sistema do ensino voltado para a criação de um modelo de “homem brasileiro”, que era branco. Basta lembrar que a reforma do ensino público brasileiro foi coordenada não por educadores, mas por médicos, que estavam envolvidos no movimento eugenista. Deste livro, destaco a parte citada nesse importante artigo artigo de Pádua Fernandes: “No Rio, durante a era Vargas, a eugenia não estava relegada a conferências profissionais e remotos laboratórios, mas era um esforço coletivo, participativo. [...] No sistema escolar, os eugenistas colocaram suas ideias em prática pela primeira vez, aprendendo e executando os programas para aperfeiçoar a raça. Suas pesquisas mostravam aquilo em que queriam acreditar: que alunos brancos, ricos, eram mais qualificados e isso podia ser mensurado. Nos casos em que um teste revelava o oposto, o pesquisador se esforçava para explicar por que os testes ou os pesquisados haviam-se desviado dos verdadeiros resultados, obtidos nas condições que se sabia serem verdadeiras. [p. 92]
Ao ignorar a luta secular dos movimentos negros (que também são compostos por brancos, é bom que se esclareça) por uma educação pública de qualidade, Ali Kamel quer fazer com que eles também esqueçam de quase dois séculos de promessas não cumpridas e, principalmente, da invisibilidade demonstrada no primeiro parágrafo de seu livro. Ao só reconhecer a história a partir do envolvimento, ou reconhecimento, dos sociólogos brancos, na década de 1950, Ali Kamel repete o comportamento que alguns desses sociólogos tiveram com importantes lideranças e intelectuais negros: trata-os apenas como como informantes ou estatísticas. A história é longa e pode ser lida com mais detalhes nos livros “Terms of inclusion – Black intellectuals in Twentieth-Century Brazil“(páginas 217 a 219 ) e O sortilégio da cor (págs. 262 a 274). Resumindo: Alberto Guerreiro Ramos Abdias Nascimento realizaram, pelo TEN , o 1º Congresso do Negro Brasileiro, reunindo intelectuais e ativistas dos movimentos negros, lideranças, pessoas da comunidade e acadêmicos brancos, para discutir problemas reais e soluções práticas para a inserção do negro na sociedade. Uma das reivindicações era que a academia parasse de usar os negros apenas como informantes, como “negro-espetáculo”, e no final do congresso uma ata foi escrita decidindo que pediriam ajuda à UNESCO para que fossem inseridos, como produtores de conhecimento, no projeto que já contemplava a academia (todos brancos) e que tentava mostrar o Brasil do pós-guerra como um grande exemplo de democracia racial a ser seguido, ignorando as pesquisas que demonstravam a persistência do racismo. Os organizadores do Congresso se assustaram e repudiaram o ato de “paternalismo” quando os acadêmicos convidados apresentaram uma segunda ata, com a visão apenas deles e não de todos os participantes, e que nada tinha a ver com a oficial. A segunda ata não foi aceita e, fingindo que concordavam com a primeira e liderados pelo sociólogo Luiz Aguiar Costa Pinto, os acadêmicos procuraram a UNESCO e conseguiram fazer com que eles, e não os intelectuais negros, realizassem o trabalho no Rio de Janeiro, que resultou no livro “O negro no Rio de Janeiro”, de Costa Pinto. Quando o livro saiu, em 1953, Abdias e Guerreiro Ramos, em jornais e em correpondência à UNESCO, acusaram Costa Pinto de plágio e de ter distorcido informações. Ele tinha se apropriado, sem dar crédito, de estudos apresentados durante o Congresso, tratando-os como mero material de pesquisa e não como produção de intelectuais negros. Costa Pinto teve acesso às atas do Congresso, tendo sumido com parte delas, depois te terem sido emprestadas em boa fé por Abdias Nascimento. A resposta de Costa Pinto às acusações, publicada em um artigo n’O Jornal, importante diário carioca da época, foi que era uma ameaça às ciências sociais que um pesquisador pudesse “ver como o seu material, ou parte dele, reage às conclusões de um estudo conduzido sobre ele. Duvido que haja biologista que depois de estudar, digamos, um micróbio, tenha visto esse micróbio tomar da penae vir a público escrever sandices a respeito do estudo do qual ele participou como material de laboratório”.
Pois é exatamente assim que boa parte dos anticotistas com amplo espaço na grande mídia trata os intelectuais negros e/ou suas opiniões: como material de laboratório. Há certo desinteresse pelo material nacional (exceto quando vem em forma de números), com clara preferência por material importado (Nelson Mandela, Henry Louis Gates, Harry Belafonte, Barack Obama), sendo melhor ainda se já estiver morto (Martin Luther King, Frederick Douglas, Rosa Parks), pois o perigo de eles “se rebelarem” é inexistente. Paulo Lins, como vimos no vídeo acima, se rebelou contra Demétrio, e a opinião de Demétrio é que a opinião de Paulo Lins deve ser considerada errada. Essa atitude revela bastante da sua porção biologista, sendo a Biologia ciência à qual ele é um dos que mais recorre, como se precisasse recordar constantemente que raça biológica não existe. Todos já sabemos disso; os negros, inclusive, quando muitos brancos afirmavam o contrário. Racismo é um problema social, não biológico; e é no campo das ciências sociais, e não biológicas, que ele deve ser combatido. Ninguém solicita exame de DNA para discriminar ninguém. Então, como é mesmo que essa série de pesquisas mostrando quem tem tais e tais porcentagens de ascendência africana, indígena ou européia podem provar a ausência de racismo na população brasileira? É sério que querem discutir/definir quem somos nós, brasileiros, através da genética?
Antes de contar uma última história que, pra mim, é o perfeito exemplo da cruzada de um dos principais grupos de comunicação contra as cotas, saliento a participação e a importância de vozes dissonantes dentro dessa velha mídia. São jornalistas que, contrariando as posições das revistas, das TVs e dos jornais nos quais trabalham, dão-se à liberdade e à dignidade de expressarem o que pensam e defenderem as cotas. Correndo o risco de me esquecer de alguém, saúdo Paulo Moreira Leite (que bom que ele mudou de ideia!), Miriam LeitãoHeraldo Pereira e Élio Gaspari. Eles fazem a maior diferença, como dá para perceber logo a seguir.
Em 2006, a situação já estava tão escancarada que o ombudsman da Folha escreveu em sua coluna que o jornal não estava tratando tratando de maneira imparcial a discussão sobre cotas e políticas afirmativas. O manifesto anticotas tinha sido publicado na íntegra pelo jornal, ao contrário do manifesto pró-cotas. Entre os vários estudos que já trataram do assunto, recomendo a tese “Ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas“, na qual Zilda Martins Barbosa analisa os textos publicados nos cadernos de opinião dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Dia, segundo ela para “compreender a relação da mídia impressa com a população negra como um exercício de resistência à mudança, de caráter passional e maniqueísta. A despeito da retórica do dissenso midiático contra as cotas, estas já são uma realidade, vislumbradas como um contradiscurso”. É interessante essa ideia, de as cotas serem o contradiscurso. Outro material que também traz dados importantes é essa pesquisa do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT e do Observatório Brasileiro de Mídia: A Mídia Impressa no Brasil e a Agenda da Promoção da Igualdade Racial . Os assuntos pesquisados foram ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas, (mas aqui ficarei apenas com as cotas), reunindo 1.093 matérias publicadas durantes os anos de 2001 e 2008 nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Globo, e nas revistas Veja, Época, e Istoé. É muita informação, e vale a pena tanto analisar os números quanto os argumentos, e perceber como estes vão se modificando, ou não, conforme vão surgindo as informações que os derrubam. Notem também que 100% das matérias – artigos, colunas, entrevistas e reportagens – das matérias da Veja e 100% dos textos opinativos – artigos e editoriais – do O Estado de São Paulo são contra as cotas. Vou me ater aqui ao jornal O Globo, um dos mais ativos nessa cruzada, e destaco uma informação de cada um dos links acima:
- os três jornais publicaram 32 editoriais sobre as cotas, tendo O Globo publicado 25, com argumentos que disseminavam as seguintes ideias: ações afirmativas/cota geram polêmica ou promovem racismo e segregação (32%), o mais correto é educar e não criar cota (24%), cotas baixarão o nível dos cursos (16%), critérios para cotas deveriam ser socioeconômicos e não raciais (12%), cotas subvertem a meritocracia (8%), cotas são equívoco, mas estimulam debate (4%) e critério da autodeclaração é questionável (4%). (página 14 da pesquisa)
- No caderno Opinião, de O Globo, 20 artigos foram sobre cotas, sendo que Ali Kamel (com sete artigos) e Demétrio Magnoli (com seis) dominam o espaço, com firme posicionamento contra. “Os outros sete artigos estão divididos entre os que são favoráveis às políticas públicas de ações afirmativas e posições neutras ou críticas com relação à medida.” (págs. 86 a 100 da tese)

Fonte http://www.interney.net/blogs/lll
Sabendo da discussão “viciada” que tem ocupado a velha mídia brasileira, e o quão desastroso seria um retrocesso na política de cotas para jovens com perfis, esperanças e dificuldades que eles conhecem tão bem, a ONG Omi-Dudú lançou a campanha Afirme-se. Procurada, a agência Propeg desenvolveu spots para rádio e uma peça publicitária que seria veiculada nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, A Tarde e O Globo. A agência negociou os espaços com os veículos, que cobraram, respectivamente, R$ 38.160,00, R$ 37.607,23, R$ 36.048,48 e R$ 54.163,20, valores arrecadados através de doações. A peça seria veiculada no dia 3 de março de 2010, para coincidir com o julgamento da constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, que estava marcado para os dias 3, 4 e 5. Dois dias antes de o material ser publicado no O Globo, a Propeg avisou à ONG que o anúncio teve que ser submetido à direção editorial do jornal (provavelmente aquela ali acima, dos editoriais contra as cotas), e que ele tinha sido classificado como “expressão de opinião”, elevando o valor cobrado para R$ 712.608,00. Segundo matéria do Observatório da Imprensa, no site do Jornal O Globo, o acréscimo para publicação de “expressão de opinião” é de 30% a 70%. No caso, O Globo estava cobrando 1.300% acima do preço negociado para veicular uma opinião diferente da sua. No dia 08/03/2010, a campanha Afirme-se! entrou com representação contra o jornal no Ministério Público do Rio de Janeiro. Estou em contato com ONG para saber se há novidades e se podemos ajudar, e assim que tiver notícias, se necessário, atualizo esse texto. Seria importante acompanharmos esse processo e e ajudarmos a denunciar mais esse abuso.
Aparecer em rede nacional, na novela Duas Caras, fazendo propaganda de um livro que estampa na capa os dizeres “Não somos racistas”, também não poderia ser classificado de divulgação de “expressão de opinião”? Será que, seguindo a política da direção editorial do grupo, a atriz Juliana Alves recebeu 1.300% a mais pela ação publicitária?

P.S. – em 8/05,  sem nenhum comentário, como se ele não tivesse existido, Yvonne Maggie apagou o parágrafo no qual atribui falsas citações a Henry Louis Gates e Harry Belafonte. O print screen do texto original está aqui. Leia o artigo de Idelber Avelar sobre o assunto: Yvonne Maggie: falsificação de citações, adulteração de arquivos e desonestidade intelectual.

Ana Maria Gonçalves, escritora, negra, autora de Um defeito de cor.